Kitabı oxu: «Memorias de um pobre diabo»

Şrift:

Bruno Seabra

Memorias de um pobre diabo


Publicado pela Editora Good Press, 2022

goodpress@okpublishing.info

EAN 4064066410575

Índice de conteúdo

Prologo.

PRIMEIRA PARTE.

CAPITULO I.

CAPITULO II.

CAPITULO III.

CAPITULO IV.

CAPITULO V.

CAPITULO VI.

CAPITULO VII.

CAPITULO VIII.

CAPITULO IX.

CAPITULO X.

CAPITULO XI.

CAPITULO XII.

CAPITULO XIII.

CAPITULO XIV.

CAPITULO XV.

EPILOGO DA PRIMEIRA PARTE.

SEGUNDA PARTE.

CAPITULO I.

CAPITULO II.

CAPITULO III.

CAPITULO IV.

CAPITULO V.

CAPITULO VI.

CAPITULO VII.

CAPITULO VIII.

CAPITULO IX.

CAPITULO X.

CAPITULO XI.

CAPITULO XII.

CAPITULO XIII.

EPILOGO DA SEGUNDA PARTE.

TERCEIRA PARTE.

CAPITULO I.

CAPITULO II.

CAPITULO III.

CAPITULO IV.

CAPITULO V.

CAPITULO VI.

CAPITULO VII.

CAPITULO VIII.

CAPITULO IX.

CAPITULO X.

CAPITULO XI.

CAPITULO XII.

CAPITULO XIII.

CAPITULO XIV.

CAPITULO XV.

CAPITULO XVI.

CAPITULO XVII.

CAPITULO XVIII.

CAPITULO XIX.

CAPITULO XX.

CAPITULO XXI.

CAPITULO XXII.

EPILOGO DA TERCEIRA E ULTIMA PARTE.

Prologo.

Índice de conteúdo

Pobreza não é vileza. Aviados andariam os vicios se fizessem conta dos pobres. Por não ser a pobreza vicio, fogem della, até os... escriptores... E como esperar um pobre diabo que outrem, que não elle, escreva suas memorias?

Responda o respeitavel—Publico—, sujeito em quem nesta occasião não descarrego a mais tremenda das descomposturas por amor á vazão deste livrinho. Cá me fica ella, porém, de reserva para quando eu haja de escrever algum juizo critico sobre alheia obra.{6}

Eis ahi o que é um prologo; em latim—exordium, em francez—avant-propos, no alemão—Einleitung, no inglez... foolery, e em as outras linguas como queiram, excepto no grego quê por fôrça será pro-logos, de logos discurso, pró antecipado, para se não dizer que embaço.

Este prologo e os capitulos seguintes são escriptos em portuguez, com perdão do meu professor de grammatica.{7}

PRIMEIRA PARTE.

Índice de conteúdo

{8}

{9}

CAPITULO I.

Índice de conteúdo

Vim á luz ao pôr do sol, minutos antes do toque das Ave-Marias. Hora fresca. No anno em que nasci, não appareceu nenhum cometa por cima de mim. Não requeri para vir á luz e, ai de nós! se o nascimento dependesse de um—como requer!—A esta hora meio mundo não teria feito a barba.

Do dia do nascimento aos meus oito annos de idade, deram-se mil e uma circumstancias; notem que não digo—pormenores e aprendam a evitar um hespanholismo.{10}

CAPITULO II.

Índice de conteúdo

Aos doze annos lia, escrevia, contava e até grammaticava, se dou crédito ao attestado do meu professor, que, nesse tempo, escrevia deste modo—proFeçôr.

Ainda noje não atinei como aprendi a lêr, a escrever, a contar e a grammaticar com um professor, que lia Simeão da Nautica em vez de Simão de Nantua, orthographava professor d'aquelle modo, contando pelos dedos quando sommava 3+2+5?!

Tambem já não tinha medo de almas do outro mundo.

CAPITULO III.

Índice de conteúdo

Ouçam isto:

—Senhor meu sobrinho! abeire-se cá, sommemos as nossas contas. Ha dous mezes esteve vossê de cama, em risco de morrer entrevado, consequencias das suas sahidas de casa a deshoras; pondo novamente os{11} pés na rua foi contrahir uma divida na importancia de oitenta e cinco mil e quinhentos réis; aqui tenho a nota:


1Vestido de cambraia de côr com babados.15$000
1Chale de lã e sêda.10$000
Dinheiro pedido.6$000
Juros.2$000
2Pares de chinelas de saltinho.6$000
1Peça de morim francez.8$000
1Vidro d'agua de Colonia.1$500
1Dito de Patchouly.1$000
1Pente de tartaruga (imitação).10$000
1Pote de pomada.1$000
1Par de brincos (ouro de lei).25$000
Rs...85$500

pagos por mim ao Sr. Moreira, por honra das cinzas de meu irmão. Não satisfeito com esta compra, que vossê diz ter feito para seu uso, como se eu fosse algum pato, ave a mais estupida dos gallinheiros, tanto assim que sempre ouvi chamar pato a quem se deixa levar, sobretudo, pelos não me-deixes de certas mulheres; não satisfeito, dizia, ha oito dias recebeu vossê uma sova de peias,{12} em resposta aos desaforados versos que dirigio á santa mulher do honrado visinho o Sr. Onofre. Somme as parcellas, subtrahindo a sova a seu favor, e veja quanto me resta? O embolso é a sua entrada para a escola de aprendizes marinheiros.... Vá aprender a ser homem....

—E os meus estudos, tio? balbuciei.

—Os seus estudos! replicou elle; o que estuda vossê?

—Oh tio! o latim....

—Sim, o latim.... ha quatro annos anda vossê estudando o latim; e o que sabe delle?

—Já declino os nominativos, tio....

Que vergonha! eu chegava aos 16 annos!

CAPITULO IV.

Índice de conteúdo

O excellente velho era homem de têmpera austera, não lia os jornaes. Se os lesse teria visto que eu, apezar de haver gasto quatro annos para no cabo chegar aos nominativos da artinha, por outro lado, dava provas do meu talento.{13}

N'aquella idade já o Camarão e o Lagarto, periodicos literarios, artisticos, politicos e burlescos publicados então, chamavam a attenção dos leitores, o primeiro para o meu artigo intitulado O homem deve ser sceptico e o outro sobre a minha poesia—Ella (á qual meu tio alludio quando fallou na santa mulher do nosso honrado visinho o Sr. Onofre).

O meu primeiro escripto que andou em letra redonda foi o artigo. Quem conhece o gigante pelo dedo, conhecerá o artigo inteiro por este começar:—«Eil-o cabisbaixo e taciturno fitando o horisonte da existencia... Esqueleto de crenças resequidas, elle descrê da luz e das trévas, de si e de todos, etc.»

O Camarão, sem inquirir como póde a gente cabisbaixa fitar o horisonte da existencia, e muito menos a que animal pertencera o esqueleto de crenças resequidas, rematava o encomio ao artigo com estas palavras de arromba:

«É de crêr que o joven e talentoso escriptor com o andar do tempo modifique as doentias idéas, prematuramente bebidas nas fontes de Benedicto Spinosa, J. J. Rousseau,{14} Claudio Helvecio, e outros materialistas. Asseveramos, no entanto, que se este artigo levasse o nome de um destes autores—seria uma faisca electrica lançada no meio da sociedade; tal é o vigor dos seus paradoxos...»

Muito obrigado, aos Srs. Redactores do Camarão.

CAPITULO V.

Índice de conteúdo

Quando escrevi—O homem deve ser sceptico, eu sabia onde ficava a fonte de Helvecio, Rousseau, Spinosa e outros, que o Camarão conhecia igualmente, como no Japão a esta hora se sabe que hontem chegou o vapor do Norte! Mas tal nomeada de literato consummado ganhei na opinião dos ledores do Camarão, que a redacção do Lagarto, receiando desequilibrar a prosperidade, poz logo á minha disposição todas as suas columnas.

Respondi á offerta enviando a minha—Ella.

Tres dias depois, corria ella o mundo,{15} inserta na 1.ª columna do 1.º numero da 2.ª serie do periodico, levando na cabeça este chapelinho:

«—A redacção do Lagarto sente ineffavel satisfação dando aos seus assignantes a grata noticia de haver o muito talentoso, muito sympathico e já assaz conhecido autor do—Homem deve ser sceptico, honrado as humildes columnas do nosso periodico com o prestigio do seu invejavel nome. A poesia abaixo inserta, verdadeiro primor da imaginação, fôra o melhor padrão da gloria de Petrarcha, se Petrarcha a escrevesse. Felicitamo-nos, pois, reconhecendo que o mavioso poeta deste torrão, reune em si conjunctamente as qualidades dos cysnes do Senna, do Tejo, de Thebas, de Albião, de Torento, da Ausonia, etc.»

Leiam a primeira estrophe d'ella:

—Não sei dizer se a flôr da larangeira

É tão formosa, tão gentil, tão bella,

Como a flôr do jardim da phantasia,

A flôr do meu amor, a minha—Ella...

Quem souber, diga.

Vim a saber mais tarde que cysne Ausonio{16} queria dizer—Virgilio; cysne de Torento—Torquato Tasso; Cysne de Albião—Miltão; cysne de Thebas—Pindaro; cysne do Tejo—Camões; cysne do Senna—Lamartine; cysne da... n'uma palavra, que todos os poetas tem o seu quê de pato.

Pulsuz fraqment bitdi.

3,92 ₼
Yaş həddi:
0+
Litresdə buraxılış tarixi:
15 yanvar 2025
Həcm:
50 səh. 1 illustrasiya
ISBN:
4064066410575
Naşir:
Müəllif hüququ sahibi:
Bookwire
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