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Reivindicada pelos Alfas
Programa Interestelar de Noivas: Livro 4
Grace Goodwin


Reivindicada pelos Alfas

Copyright © 2020 Grace Goodwin

Publicado por Grace Goodwin pela KSA Publishing Consultants, Inc.

Capa: KSA Publishing Consultants, Inc.

Créditos das imagens/fotografias: Deposit Photos: nazarov.dnepr, magann

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida de qualquer forma ou por qualquer meio eletrônico ou mecânico, incluindo sistemas de armazenamento e recuperação de informações - exceto no caso de trechos breves ou citações incorporadas em revisão ou escritos críticos, sem a permissão expressa do autor e editora. Os personagens e eventos deste livro são fictícios ou são usados de forma fictícia. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é pura coincidência e não pretendida pelo autor.

Aviso sobre a tradução: algumas expressões e piadas são quase impossíveis de serem traduzidas ipsis litteris para o Português. Portanto, a tradução foi feita para manter a expressão/sentença o mais próximo possível do idioma original.

Esta é uma obra de ficção, com o intuito apenas de entreter o leitor. Falas, ações e pensamentos de alguns personagens não condizem com os pensamentos da autora e/ou editor. O livro contém descrições eróticas explícitas, cenas gráficas de violência física, verbal e linguajar indevido. Indicado para maiores de 18 anos.

Contents

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

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Sobre A Autora

1


Leah

Eu tentei lutar contra os sentimentos. Juro que tentei, mas o pênis que me preenchia era simplesmente bom demais. Eu até tentei me debater contra ele, mas tudo o que eu consegui foi um par de algemas de couro no meu pulso. Eu estava de quatro e tinha o meu corpo pressionado contra uma mesa estranha e macia. As minhas algemas estavam ligadas a argolas, presas ao chão para que eu não pudesse me mexer. Puxei uma e outra vez, mas aquilo não cedia. O meu traseiro estava totalmente inclinado para cima, o pênis do meu parceiro estava totalmente enfiado em mim. Era como se eu estivesse atada a um cavalo de madeira estranho enquanto alguém me cavalgava. Eu estava totalmente à sua mercê e não podia fazer nada além de sucumbir ao poder do seu corpo enquanto ele tomava o meu.

O seu pênis podia fazer parte dele, carne e osso – embora muito duro e muito grande – mas ele o empunhava como se fosse uma arma concebida para me fazer submeter. Depois que ele me preenchesse com o seu sêmen, depois que sua essência cobrisse as minhas paredes internas, preenchesse o meu útero, não haveria volta. Eu ansiaria pelo seu toque e pelo seu sabor. Eu iria necessitar que ele me preenchesse, possuísse e tomasse eternamente o meu corpo. Agora, com ele alargando-me habilmente, com o meu traseiro exposto queimando devido ao ardor da sua mão e a minha boceta em chamas devido ao toque da sua língua experiente, eu já não queria resistir a ele.

Eu antes tinha medo. Agora, eu só sentia fome. Dor.

Ele não era cruel; na verdade, era mais ao contrário. Enquanto o pênis do meu parceiro se movimentava dentro de mim, preenchendo-me totalmente por trás antes de recuar, uma e outra vez, o meu medo se dissipava. Agora, eu era dele. Ele me possuiria, de corpo e alma, mas ele era forte, um guerreiro. Ele iria proteger-me. E foder-me. Ele me manteria na linha com a sua mão firme, mas também me daria prazer, segurança e um lar. Todos estes pensamentos invadiram a minha mente enquanto este macho poderoso me tornava sua para sempre; o seu pênis invadia o meu corpo, vez após vez, enquanto eu me abria para ele.

As suas mãos enormes roçaram as minhas costas antes de se inclinar, cobrindo-me com o calor da força de um guerreiro, descansando os seus dedos ao lado dos meus no lugar onde eu estava algemada à mesa. Quanto mais ele me tomava, mais ele apertava as algemas e mais brancos ficavam os seus nós dos dedos.

O seu peito escorregadio estava estendido sobre as minhas costas, prendendo-me contra o banco, intensificando a sensação de que estava presa. Eu não conseguia escapar à sua respiração brusca, aos sons de prazer que lhe escapavam dos lábios, visto que eles soavam diretamente no meu ouvido.

— Sente isto? — rosnou ele, mexendo os quadris e acertando no meu útero com a ponta grossa do seu pau. Ele era exímio na arte de acariciar lugares secretos e sensíveis no mais profundo do meu corpo, fazendo-me estremecer, deixando a minha mente vazia e submetendo-me totalmente a ele. Não havia mais ninguém que me fizesse sentir assim. Mais ninguém tinha trazido o meu corpo ao ápice do prazer mais delicioso.

Enquanto eu era colocada sobre o banco, os meus seios ficavam caídos e ansiavam por ser tocados. O meu clítoris estava inchado e se ele somente roçasse sobre ele com a ponta do seu dedo, eu gozaria. Mas, por agora, ele não o permitiria. Ele não o permitiria até que eu cedesse, até que eu implorasse.

Eu não consegui reprimir o Sim ofegante que me escapou dos lábios. Eu conseguia ouvir os sons úmidos da foda – o sinal evidente da minha excitação – preenchendo o cômodo.

— Você temia o meu pau, mas ele só dá prazer. Eu disse que caberia, que encaixaríamos de forma perfeita. — Ele falou enquanto me fodia. Como é que ele conhecia tão bem o meu corpo se esta era a nossa primeira vez? Eu nunca tinha gozado com um pênis, apenas ao roçar o meu clítoris na cama, sozinha. Mas agora, essa tarefa pessoal me seria negada. O meu parceiro insistia que eu nunca mais gozasse sem a sua permissão. Se eu quebrasse essa regra, levaria palmadas durante muito tempo e com muita força. Agora, isso lhe pertencia, eu gozaria conforme a sua vontade, pela sua língua, pela sua mão e pelo seu pau enorme… ou não gozaria.

— O teu prazer é meu.

— Sim. — Respondi.

— Eu sinto você me apertar.

— Sim — gritei, comprimindo-o mais uma vez. Foi tudo o que consegui dizer porque eu já não tinha mais o controle. Eu estava totalmente à sua mercê e tudo o que eu queria era fazer exatamente o que ele ordenava.

— Não gozará até eu te dar permissão. — Ele levantou as suas mãos da mesa para acariciar os meus seios, primeiro uma carícia suave e, depois, um puxão firme e um beliscão que me fez suspirar enquanto ele me possuía com força, rápido e profundamente. Era um misto de dor e prazer que ele suscitava em mim e eu amava isso. — Você é minha. E a tua boceta é minha.

— Sim. — repeti, uma e outra vez.

Ele não parou de me cavalgar, foder, preencher e tomar. Possuir-me. Cada vez mais alto eu me sentia, até atirar a minha cabeça para trás e para frente e agarrar as algemas com um desespero tão grande que temi que o meu coração fosse explodir para fora do meu peito. Eu não conseguia respirar. Não conseguia pensar. Não conseguia resistir. Eu estava ali mesmo… ali. A mão do meu parceiro roçou pelo meu corpo, descendo por meu quadril, vagueando pela pele roliça e suave do meu corpo até chegar ao meu clítoris. Ele traçou as pontas com o seu dedo e o som que saiu da minha garganta foi o grito suave de uma criatura em agonia, frenética e perdida. Não existia nada para mim além do seu corpo, da sua voz, da sua respiração e do seu toque.

— Goze agora. — ele ordenou, o seu pau parecia um martelo, os seus dedos eram bruscos e implacáveis no meu clítoris.

O meu orgasmo explodiu no profundo do meu ser, não tendo outra opção. Eu não conseguia resistir... Eu não tinha controle algum. Eu já não me pertencia, eu era dele. Gritei, tendo um orgasmo, o meu corpo comprimia-se e libertava-se em seu pênis, puxando-o mais para dentro, enfiando-o totalmente dentro de mim. Era como se o meu corpo ansiasse pela sua essência vital, como se estivesse desesperado por isso.

O meu orgasmo desencadeou o dele e eu senti o seu pênis inchar e ficar ainda maior antes de ele rosnar ao meu ouvido, jatos quentes do seu sêmen preenchendo-me. O meu corpo ordenhou avidamente a essência vital do seu pênis, levando-a para o profundo do meu ser.

Tal como ele tinha prometido, havia alguma coisa no seu sêmen que desencadeava uma reação física em mim, obrigando-me a ter um segundo orgasmo.

— Sim, amor. Sim, toma cada gota. O teu corpo está mudando. Ele me conhece. Ele precisa me ter. Você vai implorar pelo meu pau; vai ansiar por minha porra. Vai precisar disto, amar isto, tal como eu preciso e amo você.

— Sim! — Eu gritei novamente, sabendo que as suas palavras eram verdade. Era um ducha quente de prazer que escorria pelo meu corpo, diretamente da minha boceta, e depois, para fora. Ele estava certo; agora que eu tinha sentido o seu poder, o que ele podia me dar, eu era uma escrava daquilo. Eu era uma escrava do seu pau.

— Srtª Adams?

— Sim — disse uma vez mais, o meu sonho se fundindo com o presente.

— Srtª Adams, o seu teste terminou.

Eu balancei a cabeça. Não. Eu estava algemada a um banco maldito e sendo fodida e preenchida com sêmen. Eu queria permanecer ali. Eu queria… mais.

— Srtª Adams!

A voz agora era severa e elevada. Obriguei os meus olhos a abrirem.

— Oh, Deus. — arfei, tentando recuperar o meu fôlego enquanto a minha boceta se comprimia e pulsava devido aos choques do meu orgasmo. Eu não estava algemada a um maldito banco. Não havia nenhum corpo masculino sólido pressionado contra as minhas costas. Eu estava no centro de processamento do Programa Interestelar de Noivas, vestida com uma bata de exame médico. Os meus pulsos estavam presos por algemas médicas que estavam fixadas nas pontas de uma cadeira reclinável totalmente desconfortável, semelhante à de um dentista, para efetuar a última fase de preparativos para sair do planeta. Eu não tinha entendido quando eles colocaram os fios e os sensores que eu acabaria por ter um sonho erótico. Eu conseguia sentir os efeitos prolongados daquilo. A minha boceta estava molhada, a parte de trás da minha bata médica áspera estava úmida. Os meus mamilos estavam endurecidos e as minhas mãos estavam cerradas em punhos. Eu me sentia consumida e usada. Sentia-me completa.

— Como eu disse, o seu teste terminou. — A Guardiã Egara estava de pé, diante de mim. Uma mulher séria com cabelos castanhos e uma atenção de falcão capaz de observar os mínimos detalhes do processo de emparelhamento, olhava para baixo, para o seu tablet, enquanto o seu dedo passava por ele. — O teu parceiro foi escolhido.

Lambi os meus lábios secos enquanto tentava abrandar o meu coração frenético. Arrepios irradiavam por toda a minha pele suada. — O sonho… ele foi real?

— Não foi um sonho. — respondeu ela em um tom prático. — Nós utilizamos dados sensoriais gravados por noivas anteriores para nos auxiliar no processo de emparelhamento.

— O quê? — Dados gravados?

— Uma unidade de neuroprocessamento ou UNP vai ser inserida no seu crânio antes que saia da Terra. Te ajudará na linguagem e a se adaptar melhor no teu novo mundo. — Ela sorriu neste momento e a visão era assustadora e estranha. — A UNP está programada para gravar o teu acasalamento e enviar dados de volta para o nosso sistema.

— Vai me gravar com o meu novo parceiro?

— Sim. É requerido pelo protocolo de emparelhamento. Todas as cerimônias de reivindicação são revistas para garantir que as nossas noivas sejam colocadas em segurança e de forma adequada. — Ela colocou o tablet de lado e eu pude ver a sua gola rígida e a saia engomada do seu uniforme. Não havia uma única ruga, nem um único fio de cabelo fora do lugar no seu coque chignon apertado. Ela quase parecia um robô. Mas o fogo nos seus olhos traía o fervor e a dedicação dela para com o seu dever. A sua devoção ao programa ficou totalmente evidente com as suas palavras seguintes.

— Nós fazemos tudo o que está ao nosso alcance para garantir que os nossos guerreiros recebem noivas dignas. Eles nos servem, protegendo a Terra e todos os planetas membros da destruição plena. O sistema utiliza as reações do teu corpo para sondar a tua consciência interna, as tuas fantasias mais sombrias, as tuas necessidades mais profundas. Aquilo que não te interessa foi rapidamente descartado pelo programa de emparelhamento. O input sensorial foi filtrado até encontrarmos um guerreiro de um planeta com um emparelhamento perfeito.

Aquele tinha sido o meu parceiro? Certamente que não. — Eu não posso ser emparelhada com um homem que me algeme. Não era isso que eu queria quando me voluntariei.

A sua sobrancelha escura ergueu-se ao ouvir aquilo. — Aparentemente, Srtª Adams, isso é exatamente aquilo que você deseja. Os testes revelam a verdade, mesmo que a sua mente a negue.

Eu pensei nas suas palavras enquanto ela se movia ao redor da maca e se sentava no lado oposto. O uniforme cristalino do Programa Interestelar de Noivas combinava com a sua atitude fria. — O teu caso é bastante incomum, Srtª Adams. Embora tenhamos algumas voluntárias, nunca tivemos uma com os seus motivos.

Olhei de relance para a porta fechada por um instante, preocupada, pensando que talvez ela tivesse ligado para o meu noivo e mandado chamá-lo. Um pânico enorme me fez começar a puxar as algemas.

— Não se preocupe. — disse ela, levantando uma das mãos para me impedir. — Está segura aqui. Embora tenha dito que os hematomas no seu corpo são devido a uma queda, eu considerei que era necessário garantir que ninguém pudesse vê-la antes de ser enviada para fora do planeta.

É óbvio que a Guardiã Egara não acreditou na minha história ridícula e eu fiquei mais tranquila ao sentir a sua veemência em me proteger. Eu nunca tinha esquiado em toda a minha vida. Eu nem sequer vivia perto de uma montanha, mas foi necessária uma desculpa razoável para os hematomas no meu corpo e aquilo foi a primeira coisa que me ocorreu.

Embora eu presumisse que os hematomas fossem descobertos, eu não fazia ideia de que me despiriam totalmente para efetuar exames médicos, e que depois seria vestida com uma bata hospitalar e me submeteriam à visualização de imagens e vídeos absolutamente inadequados. Eu devo ter adormecido, visto que eu não poderia ter imaginado nada daquilo sozinha.

— Obrigada. — respondi.

Eu não estava habituada a que as pessoas fossem amáveis comigo. Ela permaneceu em silêncio, como se estivesse à espera que eu lhe contasse a verdade. Eu queria partilhar aquilo que agora sabia sobre o meu noivo? Ele tinha sido tão amável, tinha me deixado nas nuvens, até eu descobrir a verdade. Eu ouvi por acaso ele dizer a um dos seus homens para matar alguém que lhe tinha arruinado uma das suas vendas de imóveis. Eu pensava que os homens que estavam com ele eram funcionários, guarda-costas, mas na verdade, eles eram executores, homens que ele usava para intimidar e matar. Assim que eu aceitei casar com ele, ele colocou dois dos seus homens como meus guarda-costas pessoais. Ainda assim, eu acreditei que o motivo disso era simplesmente pelo fato de ele ser rico e de eu precisar de proteção adicional. Eu achava que ele era atencioso e cuidadoso, sempre olhando por mim. Ah! Fui tão estúpida. Fui mais estúpida ainda quando lhe disse que estava com dúvida quanto ao nosso casamento. Ele tornou-se totalmente agressivo, agarrou-me e disse que nunca me deixaria. Nunca.

Quando ameacei partir, ele explicou calma e apaixonadamente que eu lhe pertencia. Que eu era propriedade dele a partir do momento em que ele tinha colocado um anel de noivado no meu dedo. Que ele mataria qualquer pessoa que eu beijasse, torturaria qualquer homem que me tocasse e que, depois, me castigaria por causar aquele problema.

Eu soube, então, que tinha de ir embora, mas eu tinha que encontrar uma forma de fugir. Eu tinha ido até o centro comercial no meu carro, como se fosse um dia como os outros. Os homens que me vigiavam sempre estacionavam o seu carro ao lado do meu, seguiam-me pelo centro comercial, mas permitiam-me vaguear pelo interior das lojas sozinha. Por via das dúvidas, fui diretamente para o departamento de lingeries, onde eu sabia que eles sempre recuavam, depois, passei por muitas outras lojas, deixando o meu celular entre duas prateleiras de roupa. Corri até a parada de ônibus e peguei um para o outro lado da cidade. A partir daí, apanhei um táxi para o centro de processamento do Programa Interestelar de Noivas.

Eu já não tinha família ou amigos. Quando começamos a namorar, ele começou a eliminar sistematicamente todas as pessoas com as quais eu me preocupava antes de o ter conhecido. Um a um, ele foi dando motivos pelos quais eles deixavam de ser adequados, pelos quais eles haviam se tornado contatos que já não eram aceitáveis. Eu agora estava total e completamente sozinha no mundo, à sua mercê. Ele até me convenceu a desistir do meu trabalho, portanto, eu não tinha nenhum dinheiro meu.

Deus, até um alienígena era melhor do que um homem psicótico e possessivo cuja noção de castigo envolvia a prática de boxe, eu sendo o saco de pancada. Eu tinha sofrido uma vez. Nunca mais. Eu podia ter sido tola, ingênua e até um pouco apaixonada, mas não mais.

Eu olhei por cima do ombro durante toda a viagem até o centro de processamento, com medo que eles me localizassem e me impedissem antes de eu conseguir entrar no edifício. Assim que entrei, senti-me segura, mas não me sentiria totalmente fora do seu alcance até sair do planeta. Só aí, eu seria capaz de respirar calmamente, certa de que o meu noivo nunca me encontraria.

Eu tinha ouvido falar sobre o Programa Interestelar de Noivas há mais de um ano; sabendo que a maioria das mulheres que participava era prisioneira que procurava uma alternativa à dura sentença de prisão. Eu tinha ouvido falar que algumas eram voluntárias, mas que nenhuma delas podia voltar. Uma vez emparelhada com um guerreiro alienígena e enviada para fora do planeta para o seu parceiro, elas deixavam de ser cidadãs da Terra e não podiam voltar. No início, isso parecia assustador e ridículo. Quem seria capaz de se voluntariar para sair da Terra? Quão ruim seriam as suas vidas para fazer algo assim? Agora eu sabia. A vida de uma mulher podia tornar-se muito, muito ruim.

Eu precisava ficar o mais longe possível do meu noivo e eu tinha medo de não haver nenhum lugar na Terra que fosse longe o suficiente. Ele me encontraria, e depois…

Pensei que ele poderia ser a minha família. Família. Ele me escolheu para ser sua mulher porque eu não tinha ninguém. Não tinha ligações, não tinha ninguém para me proteger, ninguém que me impedisse de casar com aquele idiota. Ele nunca seria a minha família. Ninguém na Terra me amava. Como voluntária do programa de noivas, eu estava feliz por saber que não podia voltar. Eu já não queria ficar na Terra. Não queria passar o resto da minha vida com um medo constante de que ele conseguisse me achar. E, por isso, eu ia sair do planeta, iria para o único lugar onde ele nunca seria capaz de me encontrar, nunca mais conseguiria me alcançar.

E, então, aqui estava eu, sentada, vestida com uma bata áspera, sob o escrutínio da Guardiã Egara.

— Tem alguma pergunta?

Lambi os meus lábios novamente. — Esse parceiro… como é que eu sei que ele vai ser… bom? — Embora eu tivesse sido submetida a vários exames para o emparelhamento, o meu único requisito era que ele fosse bom. Eu não queria ser emparelhada com um homem que me batesse. Se eu quisesse isso, podia simplesmente ficar aqui na Terra e casar com aquele idiota.

— Bom? Srtª Adams, percebo a profundidade da sua preocupação, mas o seu parceiro foi submetido aos mesmos exames. Na verdade, os guerreiros têm que, obrigatoriamente, ser submetidos a exames muito mais avançados do que as nossas noivas. Não precisa ter medo do teu parceiro, porque a tua mente subconsciente é o que determina o emparelhamento. As necessidades e desejos de ambos se completam. No entanto, deve se lembrar que um planeta diferente tem costumes diferentes. Uma cultura diferente. Vai ter de se adaptar a isso, rejeitar as tuas opiniões e noções antiquadas da Terra. Vai ter de pôr de lado o teu medo de homens. Deixa tudo isso aqui na Terra.

As palavras eram sábias, mas fazer aquilo não era assim tão simples. Eu seria cautelosa durante muito tempo, quanto a isso eu estava certa. — Para onde é que eu vou?

— Viken.

Franzi a testa. — Eu nunca ouvi falar desse planeta.

— Mmm. — ela respondeu, olhando para baixo, para o seu tablet. — Você é a primeira da Terra a ser emparelhada lá. Os sonhos que visualizou são de uma fêmea de outro planeta e do Viken que foi emparelhado com ela. Como pôde observar, ele era um amante cuidadoso, mas também rigoroso.

Corei ao lembrar-me.

— Com base neste exame, penso que o teu parceiro vai te satisfazer bastante.

— E se não for assim? — E se ela estivesse errada e ele fosse mau? Ele podia ser capaz de empunhar o seu pau como se fosse uma estrela da indústria pornográfica, mas e se ele só me quisesse como escrava? E se ele me batesse como o meu noivo?

— Tem trinta dias para mudar de ideia. — respondeu ela. — Mantenha em mente que foi emparelhada não só com um homem, mas com o planeta. Se não achar o teu parceiro aceitável depois dos trinta dias, pode pedir por outro guerreiro, mas vai permanecer em Viken.

Aquilo me parecia razoável. Suspirei, um pouco mais tranquila ao saber que no fim das contas eu poderia fazer a minha própria escolha – sem ser enviada de volta à Terra.

— Está satisfeita? — perguntou ela. — Tem mais alguma pergunta? Há algum motivo para adiar o transporte?

Ela olhou para mim como se me oferecesse uma última chance. Chance essa que eu não aproveitaria. — Não. Não há nenhum motivo para adiar.

Ela acenou com a cabeça. — Muito bem. Para que conste, Srtª Adams, é casada?

— Não. — Se eu não tivesse conseguido escapar, estaria. Dentro de duas semanas.

— Tem algum filho?

— Não.

— Ótimo. — Ela deslizou novamente o dedo na tela. — Você foi formalmente emparelhada com o planeta Viken. Aceita o emparelhamento?

— Sim. — Respondi. Desde que o homem não fosse mau, eu iria para qualquer lado praa fugir do meu noivo.

— Por ter respondido afirmativamente, foi oficialmente emparelhada e será retirada a sua cidadania da Terra. Agora e para sempre será uma noiva de Viken. — Ela olhou para baixo, para a tela e deslizou o dedo. — De acordo com os costumes Viken, é necessário efetuar algumas modificações no teu corpo antes do transporte.

A Guardiã Egara se levantou e deu a volta para ficar ao meu lado.

— Modificações? — O que é que isso significava? O que ela ia fazer?

Ela apertou um botão na parede, sobre a minha cabeça, o que fez com que ela deslizasse e abrisse. Olhando sobre o meu ombro, eu não conseguia ver nada além de uma luz azul suave. O que eu pude notar foi um braço enorme que se estendia para fora da parede com uma agulha presa a ela. — O que é aquilo?

— Não precisa ter medo. Estamos simplesmente implantando as suas UNP, às quais todas as noivas precisam. Fique calma. Só leva alguns segundos.

O braço robótico veio na minha direção e espetou o meu pescoço. Estremeci, surpresa, mas, na verdade, aquilo não doía. Nada daquilo doía. Enquanto a cadeira se movimentou para trás, para dentro de uma sala com a tal luz azul, eu sentia-me relaxada, calma e sonolenta.

— Já não tem nada a temer, Srtª Adams. — Enquanto a cadeira me descia para dentro de uma banheira quente, ela acrescentou: — O seu processamento começará em três… dois… um.

2


Drogan

— Nós passamos quase trinta anos separados. Não vejo qual é a necessidade de ficarmos juntos agora. — Cruzei os braços sobre o peito enquanto olhava para o outro lado da sala, para os dois homens que pareciam idênticos a mim. Meus irmãos. Um tinha um cabelo bastante longo, que ia muito além dos ombros, o outro tinha um corte bastante curto, rente à cabeça, com uma cicatriz que atravessava a sua sobrancelha direita, mas fora isso, era como se estivesse olhando para um espelho. Ao longo de toda a minha vida, eu soube que era um trigêmeo, sempre soube que tínhamos sido separados desde bebês. Até sabia o porquê.

— As Guerras de Setores aconteceram quando vocês eram bebês. Depois da morte dos seu pais, foi decidido que o melhor era separá-los. Cada um foi enviado para governar um dos três setores, de modo a manter o equilíbrio do poder do sangue real e acabar com a guerra. — O Regente Bard olhou para cada um de nós. Ele era pequeno e frágil, mas bastante poderoso. Poderíamos tê-lo matado facilmente com as nossas próprias mãos, mas sabíamos que a sua morte não mudaria o rumo dos acontecimentos. Eu sabia, portanto, a carnificina era desnecessária. Visto que ele ainda estava respirando, concluí que os meus irmãos tivessem chegado à mesma conclusão. Mas nenhum de nós tinha que gostar disso.

De pé, ao lado do regente, estava o seu segundo em comando, Gyndar. O regente só fez uma introdução simples, mas aparentemente, o homem deveria permanecer em silêncio e fazer o que o regente mandasse. Ele não era um jovem escudeiro, inexperiente e ávido, mas sim, um homem idoso com uma atitude séria e calma. Ele era comum, o que o tornava bastante bom no seu trabalho. Os meus espiões mantinham-me informado quanto ao que o regente fazia, e Gyndar desempenhava um papel importante como intermediário e negociador, e servia como mediador silencioso em acordos à porta fechada enquanto o Regente Bard mantinha as suas aparições e a sua persona pública.

— Nós não precisamos de uma aula de história, regente. Todos nós estamos bem cientes de que fomos o motivo pelo qual o tratado foi criado, pelo qual a guerra teve fim. — disse Tor.

Era estranho ouvir a minha própria voz sair de outra pessoa. O seu cabelo longo e o casaco mais pesado que usava eram indícios da sua vida no frio Setor Um. Eu nunca fui lá, é claro, e não tinha interesse algum em tolerar o clima gelado.

— Felizmente para você, nós somos trigêmeos, não é, regente? — Acrescentou Lev. Ele deslocou-se até uma cadeira com encosto, o seu cabelo curto e a sua carranca feroz faziam com que ele parecesse mais frio do que Tor, mas eu sabia que isso era uma ideia errada. Os meus dois irmãos eram guerreiros calejados, que governavam os seus setores assim como eu governava o meu. O fato de eles terem sobrevivido estas três décadas era a prova da força e inteligência deles.

Eu conseguia ver semelhanças entre mim e Lev. A forma como eu, também, me sentei com uma postura relaxada com as minhas pernas longas esticadas diante de mim. Eu vi a sobrancelha de Lev arquear e, salvo a cicatriz, era como se estivesse olhando para um espelho. Ele também partilhava do meu desgosto e desinteresse pelas táticas e esquemas da política. Nenhum dos irmãos, assim como eu, gostava desta reunião. Era um inconveniente, algo que todos nós tínhamos de tolerar.

O velho acenou. — Acredito que tenha sido o destino o fato de seus nascimentos terem trazido paz para Viken.

Olhei para um dos meus irmãos e depois para o outro, antes de falar: — E, ainda assim, nós não temos paz alguma. Nós vamos ser parceiros de uma mulher de outro planeta. Nós é que vamos deixar para trás os nossos lares, o nosso povo, para viver aqui, para viver juntos e partilhar uma noiva? Você pede isso depois de termos vivido toda a nossa vida em setores diferentes.

— Nós podemos ter nascido como irmãos, regente, mas agora somos inimigos.— acrescentou Tor. Eu assenti, e Lev também. Eu não tinha vontade nenhuma de saltar para o outro lado da sala e matar os meus irmãos, mas a minha lealdade era para com o meu setor, assim como a lealdade dos meus irmãos era para com o seu povo, nos seus respectivos setores. Nós éramos irmãos de sangue, mas a nossa lealdade estava nos nossos lares. A nossa lealdade era para com o povo que governávamos. Para com o povo que precisava que nós os protegêssemos e provêssemos para eles.

— Inimigos? — Perguntou o Regente Bard. — Não. Irmãos. Irmãos idênticos, com DNA idêntico, que agora vão tomar uma parceira e gerar filhos.

— Então, não quer a nós — Lev juntou as pontas dos dedos. Embora ele parecesse relaxado, eu sabia que ele sentia tudo, menos isso. Eu não sabia ao certo como é que eu sabia aquilo, mas eu conseguia sentir coisas neles que eu não conseguia sentir com as outras pessoas. Será que isso era por sermos trigêmeos ou será que estávamos ligados de alguma outra forma? —, mas o bebê que vamos gerar.

O velho não discutiu. — Sim. A criança vai unir novamente os três setores e se tornar o governante dos três. Com igualdade. De forma unida. Junto. Viken se unirá novamente sob um poder único, um único governante. As guerras terminarão de uma vez por todas.

— Quanto a mim, eu não queria uma noiva alienígena. Se o seu objetivo é a união, deveríamos tomar uma parceira de Viken. — disse Tor, encostando-se contra a parede da sala.

Nós estávamos em Viken Unida, uma pequena ilha com uma grande quantidade de edifícios governamentais. Este era o lugar onde chegavam todos os visitantes interestelares, onde todas as reuniões formais entre os setores ocorriam. O edifício central branco e gigante com os seus pináculos acentuados e estátuas dedicadas aos três setores – o arco, a espada e o escudo – era o único lugar considerado território neutro para os três setores.

As armas eram deixadas na fronteira. Era uma zona segura, uma área pacífica onde todas as tensões podiam ser resolvidas.

Embora a guerra tivesse terminado há décadas, as hostilidades eram profundas. As culturas variavam. Eu não deixava de gostar dos meus irmãos só por princípios. Eu não sabia nada sobre eles além de suas aparências. Os nossos corpos eram idênticos, portanto, eu sabia que o pau de Tor ficava inclinado para a esquerda e que Lev tinha uma marca de nascença na parte de cima das costas. De resto, éramos criaturas do nosso povo, criaturas dos nossos setores.

— Não há nenhuma mulher Viken que consiga ser verdadeiramente neutra. — Ele olhou para nos três. — Tomaria uma parceira de outro setor?

Cada um de nós negou com a cabeça. Seria impossível tomar e foder uma mulher de outro setor. Ela me odiaria e eu não seria capaz de tolerá-la. Não era assim que um parceiro deveria agir, e nós sabíamos. A ligação tinha de ser forte, poderosa. Uma vez emparelhados, a ligação era mais forte do que qualquer outra coisa em Viken.

— Portanto, vocês foram emparelhados com uma mulher de outro planeta. Uma mulher da Terra.

— Qual de nós? — Perguntei. — Não é necessário os três para isso. Certamente um dos meus irmãos sabe o suficiente sobre uma mulher para procriar.

Os homens não discutiram comigo. Se eles fossem minimamente como eu, procriar com uma mulher não seria um problema.

— Um não é o suficiente. — Posso jurar que o Regente Bard fez uma pausa para criar suspense. — Todos vocês devem procriar com ela. E deve ser feito com poucos minutos de diferença um do outro. Todos vocês devem ter a mesma oportunidade de gerar a criança.

Olhamos uns para os outros, mas não dissemos nada. No entanto, eu soube exatamente o que eles pensavam. Eu não conseguia ouvir exatamente as suas palavras, mas sabia que era o mesmo. — Eu não compartilho, regente. Eu tomarei uma noiva, já que insiste, mas não vou partilhá-la.

— Então, a guerra se instalará. — Ao ouvir as palavras do regente, Lev mudou a postura e a carranca de Tor ficou ainda mais profunda. — Vocês três são os últimos descendentes reais. Todo o planeta reconhece seus direitos ao trono de Viken. Devem tomar uma noiva juntos. Devem ultrapassar suas diferenças e liderar o povo a uma nova era de paz. Devemos parar de lutar uns contra os outros e focar-nos nos grupos de batalha interestelar. Nós já não temos a liberdade de lutar entre nós como se fôssemos crianças. O inimigo externo aproxima-se, e os nossos guerreiros não se voluntariam. Ao invés disso, ficam em casa e atacam os territórios uns dos outros como se fossem crianças mimadas.

O regente respirou fundo, o seu discurso inflamado era algo que eu já tinha ouvido várias vezes. Pelo olhar estampado no rosto dos meus irmãos, as palavras do regente também não eram novidade para nenhum deles. — Vocês três são idênticos em tudo. Seus sêmens são idênticos, e, portanto, qualquer criança proveniente do acasalamento representará os três, os três setores.

— Portanto, não temos de fazer isso juntos. — disse eu. — Qualquer um deles pode tomar a mulher. — Inclinei a minha cabeça na direção dos meus irmãos.

Desde que a mulher não acabasse por ficar comigo. Eu não precisava de uma. Os Vikens estimavam as suas fêmeas e seus filhos, mas visto que eu não tinha que me preocupar quanto a agradar uma mulher ou domar uma, a vida era muito mais simples. Quando eu queria uma mulher na minha cama, eu a tomava. Quando eu terminava, ela voltava para a sua vida e eu, para a minha. Eu certamente não precisava procriar com uma fêmea por motivo nenhum. Crianças simbolizavam devoção e família, que eram coisas que eu não queria. Em todo caso, os nossos pais tiveram uma união apaixonada, e ainda assim, veja onde isso deu. Mortos. Eu não precisava trazer uma mulher para Viken e vê-la morrer por razões políticas.

— Eu não quero uma parceira. — disse Tor. — Ele pode ficar com ela.— Ele apontou para Lev.

— Eu? Eu não quero uma parceira.

O regente estava tão calmo, tão focado em consertar o planeta antes de morrer. Ele era velho e frágil. Ao contrário de nós três, ele tinha testemunhado um Viken em paz. — Já está feito. Ela foi emparelhada com os três. Como Vikens, sabem da responsabilidade.

Responsabilidade. Essa palavra tinha me sido empurrada goela abaixo desde muito novo. Havia a responsabilidade de liderar o planeta, mas não de procriar com uma mulher em conjunto com os meus irmãos afastados.

— Nós não pedimos por isso. — disse eu, falando também pelos meus irmãos. Quando eles assentiram, aquela, talvez, a primeira coisa com a qual tínhamos concordado.

— E vocês vão aceitar e nomear a criança do outro irmão como sucessor?

— Não. — a sobrancelha de Lev arqueou-se novamente.

— Nunca. — As mãos de Tor fecharam-se em punhos.

Eu não respondi porque a minha resposta era a mesma. Não. Nunca. Eu nunca abandonaria o meu povo para dar lugar aos descendentes de outro macho. Eles eram o meu povo. O meu filho herdaria o manto sagrado da liderança.

— Então, agora vocês entendem. Todos vocês devem ser parceiros dela. — O regente ergueu a mão para silenciar-me enquanto eu abria a minha para discutir. — Vocês não pediram para nascer como os três governadores do planeta. Não pediram para ser separados quando bebês. Deveriam ficar juntos, como um só. Vocês nasceram para governar, mas suas vidas foram e serão cheias de sacrifícios. Pelo bem do planeta, pelas futuras gerações, esta briga tem de acabar. Os nossos guerreiros devem se erguer ao serviço da Aliança Interestelar. Devemos proteger o nosso planeta da Colmeia, e não lutar entre nós. Se nós não atingirmos novamente a nossa quota de guerreiros, seremos retirados da proteção da Aliança. Eu recebi informações de que temos dezoito meses para cumprir a nossa quota, para contribuir novamente com o programa de noivas e com as fileiras de guerreiros ou Viken será abandonado. Veremos Viken unificado e forte novamente. Protegido. Orgulhoso. Antes de eu morrer, devemos restabelecer a posição de Viken como uma força poderosa na luta contra a Colmeia.

A Colmeia era uma raça de seres artificiais que matavam indiscriminadamente na sua busca por recursos e novos seres biológicos para assimilar ao seu conjunto. Eles tomavam a forma de toda a vida livre e implantavam nelas a sua tecnologia, neuroprocessadores e mecanismos de controle que roubavam a mente e a alma de uma criatura viva. Todos os planetas membros da Aliança Interestelar contribuíam com recursos, naves e guerreiros para a batalha constante com a Colmeia e o seu mal indiscriminado.

A Colmeia tinha de ser detida. E o regente estava certo. Durante muitos anos, os Viken não enviaram a sua quota total de guerreiros ou de noivas. Não tinha me ocorrido a hipótese de sermos abandonados. A ameaça ao planeta era real e inaceitável. Dois ciclos solares eram muito pouco tempo para procriar com uma fêmea e ver uma criança nascer. O que significava que estávamos verdadeiramente sem tempo e sem opções. Eu odiava-o por isto, por nos dizer a verdade. Mas eu sabia o que tinha de ser feito, não importando o quanto eu não quisesse pensar sobre aquilo.

— Até o momento, vocês ficaram de fora do âmbito das políticas e governo interestelar. Agora, vocês devem erguer-se e tomar o manto e aceitar as responsabilidades que lhes pertencem desde que nasceram. Todo Viken deve ser protegido. Devemos nos unir. Viken deve ser forte. Essa é a verdade e o sonho pelo qual seus pais sacrificaram as vidas.

Lev rosnou. — Eles morreram não por causa da paz, mas por causa da guerra. As facções rebeldes caçaram e os assassinaram numa luta por poder. A guerra civil Viken terminou porque você nos separou, não porque nos uniu.

— Vocês eram bebês e ainda não podiam reinar. — acrescentou o regente. — Agora, vocês voltaram para Viken Unida, para o setor central do nosso planeta para trazer paz, não como uma medida a curto prazo, como foi a separação, mas para sempre. Vocês três devem pôr de lado suas diferenças e tornarem-se uma frente verdadeiramente unida. Juntos, vocês serão poderosos. Três irmãos. Uma criança. Um futuro.

— Caralho. — murmurou Tor. Eu sentia o mesmo. Não havia como fugir do plano do regente. Não havia como fugir do fato de que tínhamos de proteger o nosso povo tanto da Colmeia, quanto das facções rebeldes do nosso mundo. Os rebeldes queriam voltar aos costumes tribais, a ter centenas de setores diferentes, cada um com o seu governante, com o seu próprio plano. Eles queriam voltar ao modo de vida de Viken de há centenas de anos, ao modo como vivíamos antes de nos tornarmos membros da comunidade interestelar, antes de Viken ter se tornado um planeta entre muitos outros.

Os líderes das facções rebeldes queriam guerra e conflitos, cada um deles queria governar o seu pequeno reino com controle absoluto e mão de ferro. Eles queriam acreditar que eram onipotentes. Deuses.

Essas eram ideias antiquadas que restaram de uma cultura de milhares de anos atrás. Essas ideias não tinham lugar no novo mundo, num mundo onde a Colmeia destruiria toda população do nosso planeta em questão de semanas se os nossos costumes tolos os deixassem desprotegidos. Nós precisávamos dos nossos guerreiros lá fora, no espaço, nas naves de combate, não discutindo sobre plantações de jardim e mulheres.

— Você poderia ter nos falado sobre as exigências da Aliança, sobre a queda das quotas de guerreiros. — disse eu. — Poderia ter nos falado sobre o teu plano, sobre a nossa noiva.

Os meus irmãos cruzaram seus braços sobre o peito e concordaram.

O velho arqueou uma das suas sobrancelhas grisalhas. — E vocês teriam concordado? Teriam se submetido ao processo de emparelhamento? — O regente inclinou a cabeça, a expressão no seu rosto era de alívio. Nós estávamos fartos de discutir. Ele tinha vencido o seu argumento. Eu não era irracional, e pelo que parecia, os meus irmãos também não. Nós não tínhamos concordado, mas estávamos ouvindo.

Tor esfregou seu queixo. — Como emparelhou um de nós? E com quem a noiva foi emparelhada?

O regente pareceu verdadeiramente envergonhado, o rosa das suas bochechas era uma cor que eu nunca tinha visto na sua face enrugada. — O check-up médico que cada um de vocês efetuou no mês passado foi um estratagema para o exame. Nós sedamos e concluímos o exame enquanto vocês estavam num estado de sonho. Uma parte foi feita enquanto vocês estavam totalmente inconscientes.

Ao ouvir as suas palavras, estremeci. Eu sabia exatamente do que ele falava. Eu tinha ido efetuar um exame médico geral, conforme necessário, e acordei suado, com o ritmo cardíaco acelerado. A experiência tinha sido estranha. Eu nunca tinha acordado numa unidade médica com o pau duro. Nada do que eu pensasse fazia-o descer. Eu tive de pedir licença ao médico e usar a minha mão para aliviar o desconforto. Tinha sido uma espécie de sonho, algo tão intenso que me deixou extremamente excitado. E eu sequer me lembrava do sonho.

— Portanto, com qual de nós ela foi emparelhada? — Eu queria saber. Precisava saber. Eu não queria foder uma fêmea que não fosse minha. Faria-o uma vez, se fosse necessário para proteger o planeta, mas eu não me ligaria a ela, não me permitiria preocupar com ela se ela não fosse minha.

O regente riu. — Com os três. Fizemos uma combinação dos perfis no programa e ela foi emparelhada com todos vocês. Ela não só vai aceitar os três, da forma como preferirem, como também precisará de cada um de vocês para ser verdadeiramente feliz. Cada um de vocês possui um traço do qual ela necessita, algo que ela deseja, algo que ela precisa para ser satisfeita. — O regente andou pela sala, as suas botas cinzentas e duras espreitavam para fora do seu robe enquanto ele andava. Ele estava vestido com um robe suave com botas com lâminas embutidas, botas preparadas para combate. Palavras suaves, seguidas pela dor pungente de uma vontade de ferro. O olhar adequava-se a ele. — Eu não queria trazê-los até aqui até que o emparelhamento fosse feito, até que a transferência estivesse por acontecer. Eu não podia arriscar a que um de vocês a recusasse.

Visto que aquilo era um fato gritante, nenhum de nós respondeu.

— Ok. Ok. — repetiu Tor. — Então, devemos foder essa mulher até a engravidarmos? No mesmo quarto? Ao mesmo tempo? — perguntou ele.

O regente encolheu os ombros. — Vocês podem compartilhá-la ou podem tomá-la um de cada vez. Deixo os detalhes para vocês.

Tor acenou. — Ótimo. Então, ela pode viajar de setor em setor e cada um de nós a fode.

O Regente Bard levantou a mão. — Como eu disse, cada um de vocês deve tomá-la num curto período de tempo entre eles para garantir que todo o sêmen se una e todos tenham a mesma chance de ser pais da criança. Enquanto foderem em conjunto não é obrigatório para a engravidarem, as leis de acasalamento exigem que...

Lev passou a mão pela parte de trás do seu pescoço enquanto andava. — É sério isso?

Tor distanciou-se da parede. — Nós nem sequer gostamos uns dos outros e você espera que gozemos nela ao mesmo tempo?

Acendeu-se a ira ao ouvir a exigência do regente. Revezar era uma coisa, mas fazê-lo em conjunto? Nós não colocamos os olhos uns nos outros por trinta anos e, agora, deveríamos foder a nossa parceira em conjunto?

O regente levantou novamente a sua mão. — A lei é muito clara. Vocês sabem que um acasalamento deve unir todas as partes como um só. No caso de vocês, como os três são os parceiros dela, devem tomá-la de uma só vez. De outro modo, a ligação não será selada e ela será proscrita para sempre.

Tor cruzou os braços sobre o peito e manteve o seu corpo rígido. Como era óbvio, a ideia não lhe agradava. — Ela vai carregar a criança que vai unir o planeta. Como é que ela poderia ser rejeitada?

— Se vocês não fizerem isso de forma adequada, sua parceira será simplesmente o meio pelo qual vocês gerarão um filho e nada mais. Ela não será a mãe-regente ou a parceira do líder de setor. No caso dela, dos três líderes de setores. De acordo com as leis e costumes, ela terá sido rejeitada pelo seu parceiro. Ela será banida.

Eu olhei para os meus irmãos, depois, para o regente. — Nós fomos inimigos durante toda a nossa vida e você espera que tomemos a sua boca, boceta e cu ao mesmo tempo para o acasalamento. — Eu pude ver o interesse no olhar dos meus irmãos, que era semelhante ao que eu sentia. A ideia era excitante, foder uma mulher em qualquer um destes três modos, mas eu o teria de fazer com homens de setores os quais eu tinha sido criado para odiar. Lev e Tor eram meus irmãos de nascença, mas as pessoas do Setor Três eram o meu povo por sangue, suor e escolha.

— Para o acasalamento, sim. Para a engravidar, não. Cada um de vocês deve preencher a sua vagina com sêmen, pelo menos até ela engravidar de forma adequada. Uma vez feito isso, podem compartilhá-la da forma como preferirem. Mas para o fazerem, para garantir a sua felicidade, precisam pôr de lado suas diferenças.

Os três arqueamos a sobrancelha direita e olhamos para o velho. Certificarmo-nos de que a nossa mulher fosse feliz era uma questão de orgulho para um guerreiro. Insinuar que nós, os líderes do planeta, não seríamos capazes de satisfazer todas as necessidades da nossa noiva, era algo extremamente ofensivo.

— Você nos colocou em setores diferentes para manter a paz, não para nos ensinar sobre tolerância. Manteve-nos separados durante toda a nossa vida e agora quer que finjamos que somos felizes para fodermos uma mulher juntos de modo a garantir que ela não seja rejeitada? Compartilhar uma noiva?

— Concordo com Drogan. Uma mulher não vai resolver os nossos problemas de longa data entre setores. E uma criança também não.

— Muito bem, líderes de setores, sugiro, então, que descubram um modo de unir os setores ou todo Viken cairá nas mãos da Colmeia. Vocês perderão tudo. Quão preciosas serão as diferenças entre os setores quando todos vocês tiverem tantos neuroprocessadores implantados no cérebro que nem serão capazes de lembrar do próprio nome. — A forma como o regente conseguia manter a calma era algo que me ultrapassava. Eu queria dar-lhe um soco no nariz só por isso. Eu queria esmagá-lo só por nos obrigar a participar desta… loucura. Por nos obrigar a fazer aquilo. Por manter em segredo a verdade perigosa acerca da situação dentro da Aliança Interestelar.

— A nossa parceira sabe que foi emparelhada com três homens? — Perguntou Lev.

Aquela era uma boa pergunta e eu olhei para o regente.

— Ela não sabe. O emparelhamento dela foi com o perfil combinado, tal como cada um de vocês — ele apontou para cada um de nós — foi emparelhado com o dela. Enquanto trigêmeos com DNA idêntico, ela foi emparelhada com vocês três.

— Permita-me ser claro, regente. — disse Tor. Ele utilizou os dedos para pontuar cada opção. — Nós temos uma parceira que não sabe que pertence a três guerreiros. Temos de convencê-la a foder cada um de nós. Temos de engravidá-la imediatamente para unir o planeta. E temos de estabilizar os setores para que os guerreiros e as noivas sejam enviados para a Aliança ou seremos dominados pela Colmeia.

— Sim. A Aliança deu-nos dezoito meses para melhorar os nossos números.

Aquilo era muito pouco tempo para engravidar a nossa nova noiva e ter um pequenino engatinhando. O bebê não teria idade suficiente para caminhar e, ainda assim, a criança seria reconhecida como herdeiro dos três setores planetários.

Eu gemi. — Também temos de convencer a nossa noiva a aceitar o nosso sêmen – ao mesmo tempo – para conseguirmos efetuar o acasalamento. Nenhuma parceira minha será banida. — Engravidá-la era fácil. Nós poderíamos fodê-la como quiséssemos, mas para conseguir efetuar o acasalamento, teríamos de fodê-la em todos os seus buracos ao mesmo tempo. Eu não era um homem bonzinho, mas nunca tinha visto uma mulher ser rejeitada. Quaisquer problemas que eu tivesse quanto a fodê-la com os meus irmãos não eram culpa dela.

E eu também não forçava mulher alguma. Como é que iríamos persuadir uma mulher relutante a tomar três homens, isso é que não seria nada fácil. Talvez, enfrentar a Colmeia fosse mais fácil.

— Nem a minha. — resmungou Lev.

Tor marcou com o dedo o último ponto. — E temos de acabar com trinta anos de ódio e convencer o planeta a unir-se.

Quando Tor explicou tudo aquilo, parecia ser uma tarefa impossível.

— Como é que sabemos que ela não foi emparelhada com outro e você está usando isso para nos manipular, de modo a afetar o equilíbrio de poderes entre os setores? — Acrescentei.

Ao ouvir a minha pergunta, os meus irmãos puseram os ombros para trás e encararam o homem.

— Como quiserem, ela não teria sido enviada para cá desde o seu planeta se não tivesse sido emparelhada pelo protocolo de processamento. — Ele suspirou. — Se estão assim tão preocupados, vou convocar outros homens para esta sala e ela será obrigada a escolher um de vocês entre muitos outros.

— Apenas um de nós. — disse eu, garantindo assim que a mulher fizesse uma escolha imparcial. Se ela estivesse verdadeiramente emparelhada com um de nós, a ligação seria poderosa e imediata. Eu tinha esquecido isso; portanto, havia a esperança de que ela estivesse inclinada a ceder à nossa necessidade de foder… imediatamente. Eu não confiaria no emparelhamento até que a nossa noiva provasse que era capaz de sentir aquela ligação.

O regente abaixou a cabeça respeitosamente. — Muito bem. Tendo em conta que ela acredita que só foi emparelhada com um homem, vocês terão de decidir qual de vocês ficará na fila. Lembrem-se, façam o que for necessário depois de a tomarem. Vocês três devem cobri-la com seus sêmens. Sem o poder da ligação e do sêmen, os outros também vão desejá-la. Vão tentar roubá-la de vocês.

Assim que o sêmen de um homem cobria a boceta de uma mulher, a ligação começava. As químicas do sêmen de um macho Viken eram poderosas. A nossa noiva desejaria e precisaria dele. Em troca, o homem com o qual ela estivesse ligada sentiria uma necessidade constante de tomá-la, protegê-la e renovar essa ligação. Essa era a ligação natural entre um homem Viken e sua parceira. Mas, se se passassem alguns meses sem que a parceira fosse exposta às químicas vinculadoras que há no sêmen de um macho, o corpo da mulher se tornaria receptivo para ser tomado por outro.

Nenhuma mulher minha sofreria essa perda de ligação com minha porra. Eu a foderia com força e várias vezes. Eu provaria a boceta dela com a minha boca enquanto o meu sêmen preenchesse sua garganta. Eu iria...

— Acha que os outros vão tentar desafiar-nos, tentar tomar a nossa parceira? — Perguntou Lev. Até ela escolher um de nós na fila, ela era considerada disponível. Qualquer homem poderoso o suficiente para tomá-la de nós poderia tentar possuí-la.

— Se ela escolher um de nós, isso significa que o emparelhamento é verdadeiro. Que ela não pertence a mais ninguém além de nós. — As palavras de Tor confirmavam que ele protegia o que era seu. Lev assentiu, concordando.

— O emparelhamento é verdadeiro. Ela vai escolher um de vocês. — disse o regente. Ele estava bastante confiante. Confiante o suficiente para que eu acreditasse que ele não mentia. Se ele estivesse, esta mulher poderia escolher qualquer macho Viken na sala para fodê-la. Ele teria o poder do sêmen sobre ela e a capacidade de engravidá-la, ao invés de nós. E o seu plano para obter um único e verdadeiro líder poderia não ocorrer.

— Essa mulher, certamente, já foi fodida. — disse Lev. — Será que ela não sentirá a falta do pau de um homem da Terra que ela tenha abandonado? Será que ela não sofrerá por estar sem o sêmen dele?

O regente negou com a cabeça. — Os homens da Terra não têm essa ligação com as suas parceiras. O sêmen deles não é tão potente como o nosso. Vocês estão em vantagem quanto a isso. Uma mulher da Terra emparelhada com três homens Vikens. A fusão do poder de seus sêmens será tão grande que ela nem imagina. Façam seu trabalho, homens, e façam-no bem. Tomem-na, fodam-na e preencham-na com seus sêmens. Engravidem-na. Se, assim como dizem, não conseguirem encontrar união entre os três, voltem para seus setores. Sua parceira será banida assim que der à luz. E a criança governará. Essa briga mesquinha cessará e assumiremos o nosso devido lugar como planeta membro totalmente protegidos pela Aliança novamente. Nada mais importa.

Aquele homem não tinha qualquer compaixão para com os nossos desejos individuais. Ele só pensava na estabilidade do planeta. E não no interesse pessoal dos meus irmãos ou até do meu e, certamente, também não pensava nos desejos ou expectativas dessa mulher com a qual fomos emparelhados. Tal como no nosso nascimento, nós, os três irmãos, éramos novamente vítimas das circunstâncias. Embora Lev, Tor e eu pudéssemos voltar para os nossos setores se não estivéssemos de acordo quanto a essa partilha, ela ficaria arruinada. Qualquer criança concebida seria arrancada dos braços dela e dos parceiros que a negaram. Ela sofreria durante meses devido ao poder forte e desesperador do sêmen não só de um, mas de três homens.

Não era o destino que eu desejava para nenhuma mulher e, sobretudo, para uma pela qual eu era responsável. Para uma que eu tinha engravidado e tomado como noiva. Uma mulher devia ser protegida e acolhida, satisfeita e dominada. Uma mulher não deveria ser usada, ter a sua confiança conquistada, a sua obediência auferida, tudo isso só para acabar por ser descartada pelo parceiro a quem tinha sido ensinada a servir. Eu olhei para os meus irmãos. Será que conseguiríamos ultrapassar as nossas diferenças para proteger uma mulher que ainda nem tínhamos conhecido?

Uma luz forte preencheu a sala, centralizando uma mesa enorme.

— Ah, o transporte dela começou. — O regente parecia eufórico; tinha um sorriso enorme e dava pulos de expectativa.

Todos nós demos um passo para trás e observamos enquanto a mulher se materializava lentamente na mesa. Assim que o transporte foi concluído, a luz ofuscante desapareceu, deixando a sua forma inconsciente sobre a superfície dura. Demos um passo adiante para olhar para ela, os meus olhos demoraram alguns segundos para se ajustar após terem sido ofuscados pelo feixe forte de luz.

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11 noyabr 2025
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9783985223725
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