Kitabı oxu: «Cartilha Maternal; ou, Arte de Leitura»
João de Deus
Cartilha Maternal; ou, Arte de Leitura

Publicado pela Editora Good Press, 2022
EAN 4064066412180
Índice de conteúdo
PRIMEIRA LIÇÃO
SEGUNDA LIÇÃO
TERCEIRA LIÇÃO
QUARTA LIÇÃO
QUINTA LIÇÃO
SEXTA LIÇÃO
SETIMA LIÇÃO
OITAVA LIÇÃO
NONA LIÇÃO
DECIMA LIÇÃO
UNDECIMA LIÇÃO
DUODECIMA LIÇÃO
DECIMA TERCEIRA LIÇÃO
DECIMA QUARTA LIÇÃO
DECIMA QUINTA LIÇÃO
DECIMA SEXTA LIÇÃO
DECIMA SETIMA LIÇÃO
DECIMA OITAVA LIÇÃO
DECIMA NONA LIÇÃO
VIGESIMA LIÇÃO
VIGESIMA PRIMEIRA LIÇÃO
VIGESIMA SEGUNDA LIÇÃO
VIGESIMA TERCEIRA LIÇÃO
VIGESIMA QUARTA LIÇÃO
VIGESIMA QUINTA LIÇÃO
POR
JOÃO DE DEUS

Les mères et les institucteurs, voilà
ceux qui jettent dans le monde presque
toutes les semences du bien et du mal.
Ambroise Rendu (Fils).
As sementes do bem e do mal, quem
as lança no mundo quasi todas, são as
mães e os mestres.
PORTO
TYP. DE ANTONIO JOSÉ DA SILVA TEIXEIRA
62, Rua da Cancella Velha, 62
1876
Este systema funda-se na lingua viva. Não apresenta os seis ou oito abecedarios do costume, senão um, do typo mais frequente, e não todo mas por partes, indo logo combinando esses elementos conhecidos em palavras que se digam, que se ouçam, que se intendam, que se expliquem; de modo que, em vez do principiante apurar a paciencia numa repetição banal, se familiarisa com as letras e os seus valores na leitura animada de palavras intelligiveis.
Assim ficamos livres do syllabario, em cuja interminavel serie de combinações mecanicas não ha penetrar uma idéa!
Esses longos exercicios de pura intuição visual constituem uma violencia, uma amputação moral contraria á natureza. Seis mezes, um anno e mais de vozes sem sentido basta para imprimir num espirito nascente o sello do idiotismo.
Porque razão observamos nós a cada passo nos filhos da indigencia meramente abandonados á escola da vida uma irradiação moral, uma viveza rara nos martyres do ensino primario?
Ás mães, que do coração professam a religião da adoravel innocencia e até por instincto sabem que em cerebros tão tenros e mimosos todo o cansaço e violencia póde deixar vestigios indeleveis, offerecemos neste systema profundamente prático o meio de evitar a seus filhos o flagello da cartilha tradicional.
PRIMEIRA LIÇÃO
Índice de conteúdo
Consistindo a leitura na combinação das letras, basta ir aprendendo as letras que se podem ir combinando; o mais é confusão; e não podendo haver combinação sem vogal, comecemos pelas vogaes (deixando de fóra o ypsilon para não surprender logo no principio o alumno com duas letras que se leem do mesmo modo, tendo diverso nome e fórma). Chamemos essas letras pelos seus nomes, á, é, í, ó, ú, que depois iremos determinando os seus diversos valores.
a e
i
o u
Estas letras aprendem-se facilmente: representando a quinta parte do abecedario quanto ao numero, estão fóra de representar a vigesima, quanto aos embaraços; porque são homogeneas, todas se pronunciam com a bôca aberta, e filiam-se naturalmente na voz e na memoria. É por isso tambem que apresentamos todas cinco duma vez.
Ora a verdadeira palavra do homem é a palavra escrita, porque só ella é immortal. Mas emquanto o ensino da palavra fallada é o encanto de mães e filhos, o ensino da palavra escrita é o tormento de mestres e discipulos. Extranha diversidade em coisas tão irmãs!
Deus na sua providencia não o podia determinar assim. Ha-de haver meio facillimo, grato, universalmente accessivel, de espalhar essa arte, ou antes faculdade, sem a qual o homem não passa de um selvagem.
Esse meio ou esse methodo não póde ser essencialmente differente do methodo encantador pelo qual as mães nos ensinam a fallar, que é fallando, ensinando-nos palavras vivas, que entreteem o espirito, e não letras e syllabas mortas, como fazem os mestres. Pois apressemo-nos tambem nós a ensinar palavras; e acharemos a mesma amenidade.
Com aquellas cinco letras já se podem formar quatro palavras muito usuaes, e que por uma feliz coincidencia se pronunciam todas do mesmo modo, isto é, carregando na inicial.
Lede-as, e nunca soletreis; que mal sabeis como a soletração confunde o principiante (quando lhe não deprava o raciocinio com sommas falsas). Lede-as acompanhando fielmente com o ponteiro a letra que estais pronunciando; e vereis a facilidade, o gosto e a admiração com que a criança vos segue e vos imita, reconhecendo em sua consciencia a palavra retratada no papel.
Convem deixar estabelecida nesta lição, a proposito da ultima palavra ia, a regra que o a no fim vale â (a fechado, igual ao que tantas vezes no dia pronunciamos separadamente: a casa, a mesa, etc.), regra que podemos figurar da fórma seguinte:
~~~a = â
Mas em portuguez as vogaes são quasi tantas como todas as consoantes juntas. Por isso antes de passar a lêr, podeis lisongear o alumno mostrando-lhe em qualquer livro ou pagina de boa letra o muito que elle já sabe. E nesta mesma distracção o acabais de confirmar nesses cinco elementos que são a alma da escrita e da leitura.
ai
ui
eu ia
SEGUNDA LIÇÃO
Índice de conteúdo
Iniciámos no mecanismo da escrita o principiante com grande e justa maravilha sua. Elle percebeu, sentiu mais ou menos lucidamente o engenho do homem, que estudando os sons de que as palavras se compõem, inventou para cada som um signal, e depois, conforme a palavra consta de taes ou taes sons, assim na escrita põe taes ou taes signaes!
Mas aqui vem a proposito admirar como esta arte fundada numa base tão singela tenha sido o martyrio de tantos innocentes e passe ainda na opinião das multidões por uma sciencia ardua!
É verdade que tal correspondencia não é perfeita; mas essa imperfeição pouco embaraça os filhos do paiz sendo bem dirigidos. A criança, acostumada a ler palavras, não lê por exemplo tódo nem môdo; lê tôdo e módo, como tem dito e ouvido dizer. Assim tambem acha o valor das consoantes caprichosas.
Vamos agora combinar com as vogaes uma das consoantes mais perfeitas que é o v; porém não lhe haveis de chamar ú-consoante, que é uma falsidade, e vai desmentir todas as combinações. Chamai-lhe, como se usa modernamente, vê, ou ainda melhor, e por ora, chamai-lhe o que elle vale, simplesmente v... pronunciando sem despegar o beiço inferior dos dentes de cima, sem vogal, sem voz, o simples sopro aspero e sonoro.
Ensinai a proferil-o; e depois não tendes mais que ir apontando na palavra successivamente as letras que ides lendo, demorando-vos na pronuncia de cada uma o tempo que quizerdes, porque essa consoante é tão prolongavel como as vogaes.
| v vá vai vi via viu vivi vivia viveu viva uva viuva |
TERCEIRA LIÇÃO
Índice de conteúdo
Cada um tem as suas traças de facilitar o ensino, e ajudar o principiante nas difficuldades. Nós temos achado util cobrir e descobrir alternativamente o v nas palavras vai, via, etc, fazendo ler ora ai, ora vai e assim o mais, a fim de certificar o principiante do papel que o v representa na escrita.
Deste ou doutro modo estamos que vos não enfastiou a lição passada, onde pela primeira vez combinámos vogaes e consoantes. Mas que differença haverá entre vogal e consoante, e porque iriamos nós ao fim do abecedario buscar o v para esse primeiro exercicio?
Quando dizemos á, soltamos essa voz da garganta; mas se dissermos má, soltamos essa voz, despegando os labios; e se dissermos mal, despegamos os labios ao soltal-a e no fim damos com a lingua no ceu da bôca.
Donde se vê que as palavras se compõem de vozes e tambem duns modos de começar ou acabar a voz.
As vozes pertencem á garganta, e representam-se nas vogaes; os modos pertencem aos orgãos mudos, como labios, dentes, lingua etc., e representam-se nas outras letras.
Vai uma grande differença da voz, ao modo de começar ou acabar a voz; vai portanto uma grande differença de vogal a consoante.
Mas esses modos, uns consistem num toque ou despego rapido, num simples movimento, numa funcção instantanea que se póde repetir, mas que se não póde prolongar, como succede nas seguintes palavras:
| bocado | golilha | maninho | preto |
| (bqd, | gl lh, | mn nh, | pr t). |
Outros consistem numa disposição em que a gente póde insistir o tempo que quizer, como nas seguintes palavras:
| favo | siso | chá jarro |
| f...v... | ç...z... | x...j...rr... |
Ora quando a voz é modificada com aquelles modos instantaneos, de sua natureza improlongaveis, a voz e o modo constituem para o principiante uma somma difficil de reduzir aos seus elementos, e portanto confusa: pelo contrario quando o modo é prolongavel, o principiante demora-se na voz ou no modo o tempo que lhe apraz sem falsear a syllaba, sem desfigurar a palavra; e o papel que a consoante representa na escrita é evidente e distincto. por exemplo, contando os pontos por momentos, podemos levar cinco momentos a pronunciar, v.....á, ouvindo-se afinal perfeitamente vá. O mesmo não acontece em dá, cá, pá, lá, etc.
Logo, por onde haviamos nós de começar, pelas consoantes contínuas ou pelas consoantes instantaneas? É claro que pelas consoantes contínuas, prolongaveis, que deixam ao principiante apreciar melhor os elementos da syllaba.
Ora, dessas consoantes a menos equivoca, ou antes, a inequivoca, a unica que não tem equivalentes, a mais perfeita em summa, é o v: começámos pelo v.
Mas em que consiste o v, como se pronuncia o v?
Nós, mesmo com a bôca fechada, podemos fazer uma especie de gemido, respirando pelo nariz; mas se, em logar de respirar pelo nariz, fazendo esse gemido, respiramos por entre o labio inferior unido aos dentes de cima, pronunciamos v...
Este som depende do folego emittido com certa força; sem essa força, emittindo o simples folego e conservando a mesma posição de labio e dentes, em logar de v... pronunciamos f...
Ora havendo tanta analogia entre estes dois elementos, sendo o f um v abafado, soprado, silencioso, passemos do v ao f.
| f fé fui fia fiava afia afiava fava |