Kitabı oxu: «Flores do Campo»

Şrift:

João de Deus

Flores do Campo


Publicado pela Editora Good Press, 2022

goodpress@okpublishing.info

EAN 4064066408886

Índice de conteúdo

A POESIA

EMBLEMA

Camões e Byron—Scepticismo e Crença

A UMA CARTA ANONYMA

DUAS ROSAS

A UMA MULHER

A D. CANDIDA NAZARETH

Por occasião da morte de sua irmã Rachel e, poucos dias depois, de sua mãi

AMOR

A DONZELLA E O MUSGO

ULTIMO ADEUS

ROSAS

ROSA E ROSAS

A HERMANN

Por occasião d'um beneficio a um asylo

PRESENTIMENTO

MARINA

I

APPARIÇÃO

II

SAUDADE

III

ETERNIDADE

IV

... 21 DE SETEMBRO

N'UM ALBUM

Pedindo-se ao author uma poesia

RESPOSTA

A A. DO QUENTAL

FLÔR E BORBOLETA

REMOINHO

AMORES, AMORES...

FABULA

BOAS NOITES

GASPAR

CARTA

MARGARIDA

NO LEITO NUPCIAL

A MINHA MÃI

BEATRIZ

INNOCENCIA

A UM NUNO

Provando a existencia de Deus a pobres camponezes

A ***

LUZ DA FÉ

RESPOSTA

A A. DO QUENTAL

VENTURA

A UNS OLHOS AZUES

HERESTA

FRAGMENTO

DINHEIRO

DUVIDA

CATURRAS

MÃI E FILHO

NÃO!

NA FOLHA D'UM ROMANCE

DESCALÇA!

ADEUS!

A VICTORIA COLONNA

N'UM CONVENTO

SONHO

Á VISTA D'UM RETRATO

A LUA

JOVEN CAPTIVA

UM BEIJO

FRANCISCA DE RIMINI

PAIXÃO

ESCREVE!

MALMEQUER

VIRGINIA

Para se recitar no theatro do Príncipe-Real

PRIMEIRO PSALMO DE DAVID

SEGUNDO PSALMO DE DAVID

CANTICO DOS CANTICOS DE SALOMÃO

I

CHEGADA

II

ENTREVISTA

III

SONHO

IV

NOIVADO

V

SURPREZA

VI

PASSEIO

A POESIA

Índice de conteúdo

EMBLEMA

Índice de conteúdo

Camões e Byron—Scepticismo e Crença

Índice de conteúdo

Vem d'alto gozar, lirio!

Noite estrellada e tepida;

A vista ao céo intrepida

Lança, penetra o Empyreo.

Dilata os seios tumidos;

Larga este terreo albergue;

Nas azas d'alma te ergue;

Ergue os teus olhos humidos

Que vês?—Soes, de tal sorte

Que os crêra tochas pallidas,

Quando as guedelhas, madidas

De sangue, arrasta a morte.

—Transpõe-n'os; que, elevando-te,

Por cada um d'aquelles,

Milhões e milhões d'elles

Verás alumiando-te.

Ávante pois, acima

Dos soes d'uma luz tremula;

Alma dos anjos emula!

Deus o teu vôo anima.

Que vês?—Um vacuo eterno.

—E n'elle?—Em ermo tumulo,

Em ignea letra (cumulo

D'horror) Byron—o inferno.

—Foge.—O horror fascina-me.

São reprobos que exhalam

Horridos ais que abalam

O inferno: oh Deus! anima-me.

—Escuta-os.—Escutemol-os.

Como elles bramem, rugem,

E o espaço uivando estrugem...

Gelam-se os membros tremulos.

—Entra.—Não posso.—Arromba.

—Prohibem-m'o.—Subleva-te.

—Prohibe-o Deus.—Eleva-te.

Acima, ingenua pomba!

Que vês? A luz clareia-me.

Que céo, que azul ethereo!

Oh extasi, oh mysterio!

Sobeja a vida, anceia-me.

—Falla.—Deus! que harmonia!

Aqui a alma exalta-se;

A alma aqui dilata-se...

Camões!—É a poesia.

Coimbra.

A UMA CARTA ANONYMA

Índice de conteúdo

Não sabe a flôr quem manda a luz do dia,

Nem quem lhe esparge o nectar que a deleita

Ao vir raiando a aurora,

E ella agradece as lagrimas que aceita,

E ella as converte em balsamos que envia

Ao mysterio, que adora.

Lamartine.

Coimbra.

DUAS ROSAS

Índice de conteúdo

Que bonita, meu amor!

Que perfeita, que formosa!

A ti pozeram-te Rosa,

Não te fizeram favor.

A rosa, quem ha que a veja

Bandeando, sem gostar?

Mas por mais linda que seja

A rosa, quando se embala,

Não te ganha nem iguala

A ti em indo a andar.

A rosa tem linda côr,

Não ha flôr de côr mais linda;

Mas a tua côr ainda

É mais fina e é melhor.

Murcha a rosa (que desgosto!)

Só de lhe a gente bulir;

E essas rosas do teu rosto

É em alguem te tocando

Que parece mesmo quando

Ellas acabam de abrir.

Cheiro, o da rosa, esse não,

Não é mais do meu agrado,

Que o teu bafo perfumado,

A tua respiração.

Depois a rosa em abrindo

Vai-se-lhe o cheiro tambem:

A tua bocca em te rindo

Só o bom cheiro que exhala...

E quando fallas, a falla,

Isso é que a rosa não tem.

Ella o que tem, meu amor?

O cheiro, a côr e mais nada.

Confessa, rosa animada!

Que és outra casta de flôr.

Os olhos só elles valem

Duas estrellas, bem vês;

Pois vozes que a tua igualem

Na doçura, na pureza,

Na terra, não, com certeza;

Agora no céo, talvez.

Não ha assim perfeição,

Não ha nada tão perfeito,

Mas é um grande defeito

O de não ter coração.

N'isso é que te leva a palma

A rosa, sendo uma flôr

—Sem voz, sem vida, sem alma,

Que abre logo á luz da aurora

E á noite esconde-se e chora

Pelo sol, o seu amor.

Ora e se a rosa, vê bem,

Tem amor, não tendo vida,

Será coisa permittida

Tu não amares ninguem?

Suppões que Deus te agradece

Essa isenção, minha flôr!

Deus a ninguem reconhece

Por filho senão quem ama:

A terra e o céo proclama

Que elle é todo puro amor.

Messines.

A UMA MULHER

Índice de conteúdo

Amo-te a ti, e a Deus.

Teus sonhos são riquezas

Talvez e fasto. Os meus,

És tu, que me desprezas.

Deixal-o. Amor acaso

É racional? Não é.

O fogo em que me abrazo

É como a luz da fé;

Que além de cega, apaga

O facho da razão.

Ama-se e não se indaga

Se se é amado ou não.

Amo-te. O mais ignoro.

Mas os meus ternos ais

E as lagrimas que chóro

Podem dizer o mais.

Que chóro; se te admira.

Nunca tiveste amor.

Quem tem amor, suspira,

E o suspirar é dôr.

Ah! quando abraço e beijo

O travesseiro e, assim,

Acórdo e te não vejo,

Vejo-me só a mim;

Não sei, mulher! que anceio

Se me traduz n'um ai!

Confrange-se-me o seio,

Rebenta o pranto e cái.

Então, se por encanto

Fallando em ti, mas só,

Todo banhado em pranto

Me visses, tinhas dó.

Tinhas. A piedade

É filha da mulher,

Que sempre quiz metade

D'uma afflicção qualquer.

Havias ao teu rosto

De me apertar a mim,

D'encher, fartar de gosto,

Todo este abysmo; sim.

Vós desprezaes embora

Culto e adoração

De quem vos ama; agora

As dôres, essas não.

Messines.

A D. CANDIDA NAZARETH

Índice de conteúdo

Por occasião da morte de sua irmã Rachel e, poucos dias depois, de sua mãi

Índice de conteúdo

Despe o luto da tua soledade

E vem junto de mim, lirio esquecido

Do orvalho do céo!

Tens nos meus olhos pranto de piedade,

E se és, mulher! irmã dos que hão soffrido,

Mulher! sou irmão teu.

Consolos não te dou, que não existe

Quem de lagrimas suas nunca enxuto

Possa as d'outro enxugar:

Não póde allivios dar quem vive triste,

Mas é-me dôce a mim chorar se escuto

Alguem tambem chorar.

Botão de rosa murcho á luz da aurora!

Que peccado equilibra o teu martyrio

Na balança de Deus?

Se é como justo e bom que elle se adora

Quem te ha mudado a ti, ó rosa! em lirio,

E em lirio os labios teus?

Não enche elle de balsamos o calix

Da flôr a mais humilde, e esses espaços

Não enche elle de luz?

Não veio o Filho seu, lirio dos valles!

Só por amor de nós tomar nos braços

Os braços d'uma cruz?

Mulher, mulher! quando eu n'um cemiterio

Levanto o pó dos tumulos sósinho:

Eis, digo, eis o que eu sou.

Mas quando penso bem n'esse mysterio

Da virtude infeliz: vai teu caminho;

Dois mundos Deus creou.

Deus não dispara a setta envenenada

Á pombinha que aos ares despedira

Com mão traidora e vil.

Imagem sua, Deus não volve ao nada,

Não aniquila a flôr que ao chão cahira

Lá d'esse eterno abril.

Has-de, cysne! expirando alçar teu canto,

Has-de lá quando a lua da montanha

Te acene o extremo adeus,

Voar, Candida! ao céo, e ebria de encanto,

No oceano d'amor que as almas banha,

Unir teu canto aos seus.

Seus, d'ellas, mãi e irmã, cinzas cobertas

D'um só jacto de terra... oh desventura!

Oh destino cruel!

Vejo-as ainda ir com as mãos incertas

Guiando-se uma á outra á sepultura,

E a mãi: Rachel! Rachel!

Coimbra.

AMOR

Índice de conteúdo

Amo-te muito, muito.

Reluz-me o paraiso

N'um teu olhar fortuito,

N'um teu fugaz sorriso.

Quando em silencio finges

Que um beijo foi furtado

E o rosto desmaiado

De côr de rosa tinges;

Dir-se-ha que a rosa deve

Assim ficar com pejo,

Quando a furtar-lhe um beijo

O zephyro se atreve;

E ás vezes que te assalta

Não sei que idéa, joven!

Que o rosto se te esmalta

De lagrimas que chovem;

Que fogo é que em ti lavra

E as forças te aniquila,

Que choras, mas tranquilla,

E nem uma palavra?

Oh! se essa mudez tua

É como a que eu conservo,

Lá quando á noite observo

O que no céo fluctua;

Ou quando, á luz que adoro,

Ás horas do infinito,

Nas rochas de granito

Os braços cruzo e chóro;

Amamo-nos... Não cabe

Em nossa pobre lingua

O que a alma sente, á mingua

De voz, que só Deus sabe.

Coimbra.

A DONZELLA E O MUSGO

Índice de conteúdo

Um dia, não sei que eu tinha...

Uma tristeza tamanha!

E lembra-me ir á montanha,

Que temos aqui vizinha,

Onde em tempo me entretinha

Horas e horas sósinha

Quando ainda se não estranha

Que n'uma teia de aranha

Se prenda uma innocentinha,

Ou atraz d'uma avesinha

Se cance a vêr se a apanha.

Depois é que o mundo falla

E se mette com a vida

De quem ás vezes se cala

Por ser mais bem procedida.

Que esta gente que faz gala

Em coisa, que vê, contal-a,

E sendo mal permittida

Inda em cima acrescental-a,

Teem a lingua comprida

E bem deviam cortal-a.

Vou pelo córrego acima,

Subo á ponta do penedo;

Que a vida só quem a estima

É que da morte tem medo.

A mesma tristeza anima

A encarar a pé quedo

A morte que se aproxima

A tirar-nos do degredo,

Que inda a gente se lastima

De não acabar mais cedo.

E alli sósinha chorando

Me lembrava, ora a ventura

Da minha infancia, inda quando

Levava os dias brincando;

Ora a desgraça futura,

Que me estava annunciando

Não sei se a minha amargura,

Se uma nuvem, grande e escura,

Que se ia no ar formando

E vinha já avançando,

Como que á minha procura.

E ainda o pranto corria

E o cabello me batia

No rosto, que me doía,

Tal era a força do vento;

Já tudo tão pardacento

A nevoa e chuva fazia

Que eu olhava, mas dizia:

É nuvem ou penedia

Aquelle vulto cinzento?

O mar brilhante algum dia

Como prata luzidia

Já ninguem o distinguia

Da terra e do firmamento:

Uivar só é que se ouvia,

Mas uivar sem sentimento;

E como em grande tormento

Se desvaira a phantasia:

—Fosse eu mar, disse; valia

Mais ser coisa bruta e fria,

Como a rocha onde me sento.

Faz um trovão no momento

Que soltava esta heresia;

E áquella rouca harmonia

Occorre-me um pensamento,

Que me dá uma pancada

O coração de tal modo,

Como se o rochedo todo

Desandasse na chapada.

Era a voz da consciencia

Que me accusava do crime

De negar á Providencia

A razão com que me opprime.

Peço perdão, commovi-me

E n'um extasi sublime

Lagrimas de penitencia,

Como um balsamo, uma essencia,

Purificam-me e senti-me

Com uma nova existencia.

Ólho; as nuvens esvaíam-se:

Os roncos do mar ouviam-se,

Mas já mais de espaço a espaço.

O sol ainda tão baço,

De luz tão pouco brilhante,

Que se media a compasso

Como a cara d'um gigante,

Descobre-se e resplandece!

Ao longe o mar apparece;

E tudo, mar, terra e céos

Tão formoso me parece,

Como se agora tivesse

Sahido das mãos de Deus!

No rochedo onde descança

Meu corpo desfallecido,

O verde musgo, vestido

Sempre da côr da esperança,

Agora reverdecido,

Me ensina a ter confiança

N'esse que do céo nos lança

Em dia tempestuoso,

Só para nosso repouso

O arco da alliança.

Pobre musgo, descuidado,

Sem olhos para chorar,

Sem poder alliviar

Com seu pranto um desgraçado,

Consolar-se e consolar!

Fallas mais a meu agrado

Que o livro mais afamado

D'esses livros, que em lugar

De nos dar consolação,

Nos fazem cahir no chão

Um pranto mal empregado,

E inda mais amargurado

Nos deixam o coração.

Colhi-o, pul-o no seio,

E é hoje o livro que leio.

Messines.

ULTIMO ADEUS

Índice de conteúdo

Prestes, se inda na rocha de granito

D'onde em tempo me vias te sentares,

Não olhes para a terra ou para os mares,

Olha sim para o céo, que é lá que habito.

Lá tão longe de ti, mas não do terno,

Bondoso pai que os dois nos ha gerado,

Só para mágoas não, que bem guardado

Nos tem tambem no céo prazer eterno.

Não se é só pó no fim de tanta mágoa.

Senão, diga-me alguem que allivio é este

Que sinto, quando á abobada celeste

Alevanto os meus olhos rasos d'agua.

Mentem os céos tambem? Os céos maldigo.

Feras, tigres, tambem o céo povôam?

Tambem os labios lá sorrindo côam

Veneno desleal em beijo amigo?

Mas na dôr é que os astros nos sorriem,

E os homens não sorriem na desdita.

Astros! fio-me em vós, e Deus permitta

Que os infelizes sempre em vós se fiem.

Intima voz do fundo, bem do fundo

D'alma me diz (e as lagrimas me saltam):

Vês os milhões de soes que o espaço esmaltam?

Pisa a terra a teus pés, inda ha mais mundo.

Ha depois d'esta vida inda outra vida.

Não se reduz a nada um grão d'arêa,

E havia de a nossa alma, a nossa idêa

Nas ruinas do pó ficar perdida?

—Isso que pensa e quer (até me admiro),

Isso que a luz nos traz, que a luz nos leva,

Isso que me abre o céo que ao céo me eleva

N'um teu cançado olhar, n'um teu suspiro!

Onde, não sei eu bem, mas sei que existe

Deus remunerador. Depois de mortos

Hemos de vêr-nos, e um no outro absortos

Fartar de glorias este amor tão triste.

—Tão triste, e o coração que me adivinha

N'este supplicio nosso este tormento!

Nunca dos labios teus minimo alento

N'um só beijo bebi em vida minha!

E morro sem te vêr! Cabeça doida,

Desasisado amor! Sonhar afflicto

Um sonho até morrer... Não: resuscito;

Morto tenho eu vivido a vida toda.

* * *

3,92 ₼

Janr və etiketlər

Yaş həddi:
0+
Litresdə buraxılış tarixi:
16 yanvar 2025
Həcm:
80 səh. 1 illustrasiya
ISBN:
4064066408886
Naşir:
Müəllif hüququ sahibi:
Bookwire
Yükləmə formatı:

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