Kitabı oxu: «Ramo de Flores acompanhado de varias criticas das Flores do Campo»
João de Deus
Ramo de Flores acompanhado de varias criticas das Flores do Campo

Publicado pela Editora Good Press, 2022
EAN 4064066407803
Índice de conteúdo
RAMO DE FLORES
RAMO DE FLORES
JOÃO DE DEUS
ACOMPANHADO DE VARIAS
CRITICAS DAS FLORES DO CAMPO
RAMO DE FLORES
I
SÊDE DE AMOR
I
II
III
II
LAMENTO
III
ENLEVO
IV
SEMPRE!
V
ESPERA!
VI
ADEUS
VII
MELANCOLIA
VIII
SYMPATIA
IX
11 DE MAIO
X
ATTRACÇÃO
XI
DESANIMO
XII
N'UM ALBUM
XIII
O SEU NOME
I
II
III
IV
XIV
SAUDADE
XV
* * * *
CRITICAS
DAS
FLORES DO CAMPO
FLORES DO CAMPO
JOÃO DE DEUS
LIVROS
REVISTA CRITICA BIBLIOGRAPHICA
FLORES DO CAMPO
João de Deus
ANNO LITTERARIO DE 1869
CARTAS A J. SIMÕES DIAS
Post-scriptum
INDEX
RAMO DE FLORES
Criticas das Flores do Campo
Á VENDA
LIVRARIA INTERNACIONAL
RAMO DE FLORES
Índice de conteúdo
RAMO DE FLORES
Índice de conteúdo
POR
JOÃO DE DEUS
Índice de conteúdo
ACOMPANHADO DE VARIAS
CRITICAS DAS FLORES DO CAMPO
Índice de conteúdo
PORTO
Typ. da Livraria Nacional
2—Rua do Laranjal—22
1869.
RAMO DE FLORES
Índice de conteúdo
I
SÊDE DE AMOR
Índice de conteúdo
I
Índice de conteúdo
Vi-te uma vez e (novo
Extranho caso foi!)
Por entre tanto povo...
Tanta mulher... Suppõe
Que mãe estremecida
Via o seu filho andar
Sobre muralha erguida,
Onde o fizesse ir dar
Aquelle remoinho,
Aquella inquietação
D'um pobre innocentinho
Ainda sem razão!
E ora estendendo os braços...
Ora apertando as mãos...
Vendo-lhe o gesto, os passos,
Quantos esforços vãos,
O triste na cimalha
Faz por voltar atraz...
Sem vêr como lhe valha!
A vêr o que elle faz!
Pallida, exhausta, muda,
Os olhos uns tições,
Com que, a tremer, lhe estuda
As mesmas pulsações...
(Porque não é mais fundo
O mar no equador,
Nem é todo este mundo
Maior do que esse amor!
Mais vasto, largo e extenso
Todo esse céo tambem
Do que o amor immenso
D'um coração de mãe!)
Assim, n'essa agonia...
N'essa intima avidez...
É que entre os mais te eu ia
Seguindo d'essa vez!
Porque te adoro!... a ponto,
Que ainda hoje, crê!
Escuto e oiço e conto
Os grãos de arêa até,
Que tu, mulher! andando
Fazias estalar
Já mesmo longe e... quando
Deixei de te avistar!
II
Índice de conteúdo
Os olhos são
D'uma expressão!
Que linda bôca!
O pé nem toca,
De leve, o chão!
Aquelle pé
De leve até
Nem se elle sente!
E sente a gente
Não sei o que é...
E a graça, o ar,
D'aquelle a andar!
Que véla passa
Com tanta graça
Á flôr do mar!
Os olhos vêr
Um só volver
De olhar tão dôce,
Que mais não fosse...
Era morrer!
Os dentes sãos
E tão irmãos
E tão luzentes!
Que bellos dentes!
Que lindas mãos!
III
Índice de conteúdo
Estrella, nuvem, ave,
Perfume, aragem, flôr!
Consola-me! distilla,
Da languida pupilla,
O balsamo suave
De um desditoso amor!
Estrella, nuvem, ave,
Perfume, aragem, flôr!
A flôr, de que és imagem,
A flôr, de que és irmã,
Sacia-se, e desata
O seu collar de prata
Aos beijos da aragem,
Aos risos da manhã!...
A flôr, de que és imagem,
A flôr, de que és irmã!
A perola que encerra
A flôr, é sua? Não.
O pranto que a amima,
Cahiu-lhe lá de cima
Para cahir na terra,
Para cahir no chão!
A perola que encerra
A flôr, é sua? Não!
Tu já mataste a sêde,
Mata-me a sêde a mim!
Se em nuvem piedosa
Te refrescaste, rosa!
Tambem em ti eu hei de
Refrigerar-me!... sim!
Tu já mataste a sêde,
Mata-me a sêde a mim!
É para que me orvalhes
Que te orvalhou o céo!
O liquido que veio
Aljofarar-te o seio
Bem é tambem que o espalhes
No chão... o chão sou eu!
É para que me orvalhes,
Que te orvalhou o céo!
II
LAMENTO
Índice de conteúdo
Senhor! Senhor! que um ai nunca me ouviste
Na minha dôr!
Ai vida, vida minha, como és triste!...
Senhor! Senhor!
Quando eu nasci, o sol cobriu o rosto
Mal que eu o vi!
Tingiu-se o céo de sangue, e era sol-posto,
Quando eu nasci!
Pela manhã, a rosa era mais alva
Que a alva lã!
E o cravo desmaiou á estrella-d'alva,
Pela manhã!
Ao longe, o mar se ouviu, leão piedoso,
Um ai soltar!
Pelas praias, se ouviu gemer ancioso,
Ao longe, o mar!
Oh roixinol! a ti, nasce-te o dia
Ao pôr do sol!
Mostre-me a campa a luz que te alumia,
Oh roixinol!
III
ENLEVO
Índice de conteúdo
Não brilha o sol,
Nem póde a lua
Brilhar na sua
Presença d'ella!..
Nenhuma estrella
Brilha deante
Da minha amante,
Da minha amada!
A madrugada
Quanto não perde!
O campo verde
Quanto esmorece!
Quanto parece
A voz da ave
Menos suave
Que a sua falla!
A flôr exhala
Menos perfume
Do que é costume
O seu cabello!
Que basta vêl-o,
Prende-se a gente!
Prende-se e sente
Gosto ineffavel!
Que riso affavel
Aquelle riso!
Que paraíso
Aquella bôca!
Penetra, toca,
Enche de inveja
Um ar que seja
Da sua graça!
Onde ella passa,
Onde ella chega,
Quem lhe não prega
Olhos avaros!
Ha dotes raros,
Rara doçura
N'aquella pura
Casta existencia!
Oh! que innocencia
Que ella respira!
A alma aspira
Não sei que aroma
Mal nos assoma
Ao longe aquella
Pallida estrella,
Que rege o mundo!...
Nunca do fundo
Do oceano
Foi braço humano
Colher tão linda
Perola ainda,
Como a formosa
Candida rosa
Que eu amo tanto!
Não sei de santo
Que ha no seu gesto!
No ar modesto
D'aquelle todo...
N'aquelle modo...
Que tudo esquece,
E nos parece
Estar no céo!
IV
SEMPRE!
Índice de conteúdo
Pensas que te não vejo a ti? Bom era!
Gravei tão vivamente n'alma a dôce
E bella imagem tua, que eu quizera
Deixar de contemplar-te, só que fosse
Um momento, e não posso, não consigo!
Foges-me, escondes-te e que importa? Esculpes
Mais fundo ainda os indeleveis traços!
Realça-te o retrato! E não me culpes!
Culpa-te antes a ti!... Sigo-te os passos!...
Vejo-te sempre!... trago-te comigo!...
V
ESPERA!
Índice de conteúdo
Uivaria de amor a féra bruta
Que pela grenha te sentisse a mão!
E eu não sou féra, pomba! Espera! Escuta!
Eu tenho coração!
Não é mais preto o ébano que as tranças
Que adornam o teu collo seductor!
Ai não me fujas, pomba! que me canças!
Não fujas, meu amor!
A mim nasceu-me o sol, rompeu-me o dia
Da noite escura d'olhos taes, mulher!
Não me apagues a luz que me alumia
Senão quando eu morrer!
Eu não te peço a ti que as mãos de neve,
Os dedos afusados d'essas mãos,
Me toquem estas minhas nem de leve...
Seriam rogos vãos!
Não te peço que os labios nacarados
Me deixem esses dentes alvejar,
Trocando, n'um sorriso, os meus cuidados
Em extasis sem par!
Mas uivando de amor a bruta féra
Que pela grenha te sentisse a mão,
Eu não sou féra, pomba! escuta, espera!
Eu tenho coração!
VI
ADEUS
Índice de conteúdo
A ti, que em astros desenhei nos céos,
A ti, que em nuvens desenhei nos ares,
A ti, que em ondas desenhei nos mares,
A ti, bom anjo! o derradeiro adeus!
Parto! Se um dia (que é possivel flôr!)
Vires ao longe negrejar um vulto,
Sou eu que aos olhos d'esta gente occulto
O nosso immenso desgraçado amor.
Talvez as féras ao ouvir meus ais,
As brutas selvas, as montanhas brutas,
Concavas rochas, solitarias grutas,
Mais se condoam, se commovam mais!
E lá d'aquellas solidões se aqui
Chegar gemido que uma pedra estala,
Que um cedro vibra, que um carvalho abala,
Sou eu que o solto por amor de ti...
De ti! que em folha que varrer o ar,
Em rama, em sombra que bandeie a aragem,
De fito sempre n'essa cara imagem
Verei, sorrindo, sentirei passar!
De ti, que em astros desenhei nos céos!
De ti, que em nuvens desenhei nos ares!
De ti, que em ondas desenhei nos mares,
E a quem envio o derradeiro adeus!
VII
MELANCOLIA
Índice de conteúdo
Oh dôce luz! oh lua!
Que luz suave a tua,
E como se insinua
Em alma que fluctua
De engano em desengano!
Oh creação sublime!
A tua luz reprime
As tentações do crime,
E á dôr que nos opprime
Abres-lhe um oceano!
É esse céo um lago,
E tu, reflexo vago
D'um sol, como o que eu trago
No seio, onde o afago,
No seio, onde o aperto?
Oh luz orphã do dia!
Que mystica harmonia
Ha n'essa luz tão fria,
E a sombra que me guia
N'este areal deserto!
Embora as nuvens trajem
De dia outra roupagem,
O sol, de que és imagem,
Não tem essa linguagem
Que encanta, que namora!
Fita-te a gente, estuda,
(Sem mêdo que se illuda)
Essa linguagem muda...
O teu olhar ajuda...
E a gente sente e chora!
Ah! sempre que descrevas
A orbita que levas,
Confia-me o que escrevas
De quanto vês nas trevas,
Que a luz do sol encobre!
As victimas, que escutas,
De traças mais astutas
Que as d'essas féras brutas...
E as lastimas, as luctas
Da orphã e do pobre!
VIII
SYMPATIA
Índice de conteúdo
Olhas-me tu
Constantemente:
D'ahi concluo
Que essa alma sente!...
Que ama, não zomba,
Como é vulgar;
Que é uma pomba
Que busca o par!...
Pois ouve; eu gemo
De te não vêr!
E em vendo, tremo
Mas de prazer!...
Foge-me a vista...
Falta-me o ar...
Vê quanto dista
D'aqui a amar!
IX
11 DE MAIO
Índice de conteúdo
Se eu fosse nuvem tinha immensa magoa
Não te servindo d'azas maternaes
Que te podessem abrigar da agoa
Que chovesse das mais!
E sendo eu onda, tinha magoa summa
Não te podendo a ti, mulher, levar
De praia em praia, sobre a alva espuma.
Sem nunca te molhar!
E sendo aragem, eu, que pela face
Te roçasse de rijo, alguma vez
Que o Senhor com mais força respirasse,
Que magoa immensa... Vês!
E a luz do teu olhar que me não lusa
Um rapido momento, a mim, sequer,
Como a aguia no ar... que passa e cruza
A terra sem n'a vêr!
Mas que me importa a mim! Se me esmagasses
Um dia aos pés o coração a mim,
As vozes que lhe ouviras se escutasses,
Era o teu nome... Sim!
O teu nome gemido docemente
Com toda a fé d'um martyr em Jesus,
Se acaso já em Christo pôz um crente
A fé que eu em ti puz!
A fé, mais o amor! Porque elle expira
Sem que a ninguem lhe estale o coração,
E eu, se essa cruz dos olhos me fugira,
Sobrevivia? Não!
Assim como em ti vivo, morreria
Tambem comtigo, se uma vez (que horror!)
Te visse pôr, oh sol!... sol do meu dia!
Astro do meu amor!
Pulsuz fraqment bitdi.