Kitabı oxu: «Um amor inesperado - Um bebé, um milagre»
Editado por Harlequin Ibérica.
Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
Núñez de Balboa, 56
28001 Madrid
© 2022 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
N.º 68
© 2017 Judy Russell Christenberry
Um amor inesperado
Título original: The Cowboy’s Christmas Proposal
Publicada originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.
© 2019 Liz Fielding
Um bebé, um milagre
Título original: Secret Baby, Surprise Parents
Publicada originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.
Estes títulos foram publicados originalmente em português em 2009
Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial. Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.
® Harlequin, Bianca e logótipo Harlequin são marcas registadas propriedades de Harlequin Enterprises Limited.
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Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited. Todos os direitos estão reservados.
I.S.B.N.: 978-84-1105-094-4
Sumário
Créditos
Sumário
Um amor inesperado
Prólogo
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Um bebé, um milagre
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Epílogo
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Prólogo
De mão dada, duas jovens atraentes olhavam para as quatro campas que havia à frente delas, com lágrimas de dor nos seus rostos.
– Pelo menos, sabemos que não sofreram – suspirou uma delas. O sol da manhã brilhava sobre o seu cabelo loiro.
– É verdade – assentiu a morena. – Mas eram demasiado jovens para morrerem.
– E agora só nos temos uma à outra. Vamos ter de nos apoiar mutuamente para seguirmos em frente.
– Sim. Era o que eles teriam querido.
A conversa foi interrompida pelas pessoas de Bailey, no Colorado, que se aproximavam para lhes darem os pêsames, e as jovens primas cumprimentaram vizinhos e amigos, tão tristes como elas.
A morte dos seus pais num acidente de carro, quando voltavam de Denver de verem um jogo de futebol, fora totalmente inesperada para todos.
– Se precisarem de ajuda, não hesitem em pedi-la. São demasiado jovens para estarem sozinhas – disse-lhes uma vizinha.
As duas raparigas trocaram um olhar. Tinham vinte e cinco anos, uma idade razoável para começarem a viver de forma independente, mas nenhuma das duas tinha querido que fosse assim.
E, embora tivessem recebido muitas ofertas de ajuda dos vizinhos, não pensavam aceitar nenhuma, porque achavam ter um plano para seguir em frente na vida, mantendo as queridas tradições familiares.
Mas não tinham pensado que teriam de o fazer sozinhas.
Capítulo 1
Penny Bradford dirigiu-se para a casa dos trabalhadores para falar com Gerald Butler, o capataz do rancho.
Felizmente, tinha o capataz do seu pai para se apoiar. Depois da morte acidental do seu irmão aos dezasseis anos, o seu pai, receando que também lhe acontecesse alguma coisa, decidira protegê-la. E, sendo «a princesinha» do seu papá, nunca aprendera nada sobre o funcionamento do Rocking B.
Mas tinha chegado o momento de aprender e Gerald poderia ensinar-lhe. Penny chegou à casa dos trabalhadores e parou um pouco para respirar. Mas, quando ia entrar, uma gargalhada sonora parou-a.
– Porque não hei-de continuar aqui? – ouviu a voz do capataz. – Se consegui enganar o seu pai, enganar a rapariga será canja. Nunca descobrirá que fico com o dinheiro dela. Nos últimos quatro anos, fiquei com mais de cinquenta mil dólares…
Penny recuou, horrorizada, antes de correr para casa e, ao entrar, pegou no telefone e telefonou à sua prima.
– Sally, ainda bem que te encontro. Acabei de ouvir Gerald a gabar-se de ter roubado cinquenta mil dólares ao meu pai.
– O quê?
– Estava a contá-lo a alguém na casa dos trabalhadores.
– Que horror! Tens de o despedir imediatamente. Não podes continuar a confiar nele… e certifica-te de que parte sem levar nada do rancho.
Penny respirou fundo.
– Como pôde fazer isto ao meu pai?
– Sabes que há pessoas más em toda a parte.
– O problema é o que faço depois? Eu não sei gerir o rancho. O meu pai recusou-se a ensinar-me, receando que sofresse um acidente, e Gerald é o único que sabe como funciona isto.
– Eu sei, vais precisar de ajuda. O teu pai não era amigo de Dexter Williams? É o ganadeiro mais importante da zona, certamente, ele poderia recomendar-te alguém.
– Boa ideia! Obrigada, Sally. E vou telefonar ao xerife para que leve Gerald do rancho – suspirou Penny. – Não acho que possa provar o que fez, mas, se aparecer com o xerife, certamente partirá sem protestar.
– Telefona-me amanhã para me contares o que se passou.
– Fá-lo-ei, Sally. Obrigada.
Penny desligou o telefone e preparou-se para dar o primeiro passo como proprietária do rancho Rocking B.
– Senhor Williams, sou Penny Bradford. Sei que o meu pai e o senhor eram amigos e preciso do seu conselho.
– Claro que sim, Penny! Em que posso ajudar-te?
– Preciso de um capataz para o rancho, alguém que seja honesto e trabalhador. E que esteja disposto a ensinar-me.
– O que se passou com Gerald?
– Despedi-o esta manhã. Descobri que roubava o meu pai.
– Lamento, o teu pai era um bom homem – murmurou Williams. – E não é fácil encontrar capatazes decentes – de repente, estalou os dedos. – Talvez eu tenha o homem perfeito para ti. É competente para fazer os trabalhos de capataz, mas, neste momento, não havia nenhum lugar para ele.
– Como se chama?
– Jake Larson. Mas há uma coisa sobre ele... – o homem sorriu como se estivesse a pensar na melhor maneira de dizer a próxima frase: – Tem fama de… Enfim, agrada muito às mulheres, portanto, é melhor que mantenhas as distâncias.
– Isso não será um problema. Desde que possa confiar que gere bem o rancho…
– Podes confiar nele, garanto-te. Dir-lhe-ei que vá falar contigo amanhã de manhã, bem cedo.
– Não sabe como lhe agradeço a sua ajuda, senhor Williams.
– Fico contente por poder ajudar-te. E se precisares de alguma coisa, não hesites em pedir.
Penny desligou o telefone, contente por ter encontrado uma solução para o seu problema, mas sentindo curiosidade por saber que tipo de homem seria o tal Jake Larson.
Jake Larson subiu os degraus do alpendre, com os dentes cerrados. Esperava que fosse Dexter quem queria vê-lo e não a senhora Williams, que passara o Verão todo a persegui-lo.
Mas receava que o despedisse e não seria justo, porque ele não tinha o mínimo interesse na sua mulher… Embora não parecesse capaz de a convencer. E também não conseguiria convencer Dexter de que era ela quem estava a persegui-lo.
Dexter Williams abriu a porta e fez-lhe sinal para que entrasse.
– Vamos para o meu escritório conversar um pouco.
Jake assentiu, pensando que teria sorte se lhe desse uma carta de recomendação.
– Ouve, ambos sabemos que as coisas não podem continuar como até agora – começou a dizer o seu chefe. – Não queria despedir-te porque és um bom trabalhador e isso não seria justo, portanto, encontrei outro lugar para ti.
Ele olhou para ele, surpreendido.
– Obrigado, mas prefiro procurar emprego sozinho.
– Sim, bom… Serei sincero contigo. A verdade é que me farias um favor se aceitasses este lugar. A filha de um grande amigo meu que acabou de falecer precisa de um capataz, alguém que possa gerir o rancho e ensiná-la a geri-lo.
Jake franziu o sobrolho. Desejava ocupar um lugar de capataz, mas ensinar uma mulher…
– Não sei se serei o mais adequado para isso.
– Sim, és. E ambos sabemos que não podes continuar aqui.
Jake assentiu.
– Eu sei, mas… De que rancho estamos a falar?
– Do Rocking B, do outro lado da vila. A filha de Bradford acabou de descobrir que o capataz lhes roubava dinheiro.
– É o que tem um ferro que parece um chapéu?
– Sim, esse mesmo.
– Enfim, suponho que podia falar com ela…
– A menina Bradford espera-te no rancho ainda esta manhã. Faz a mala, eu direi à minha mulher que te foste embora.
Jake apertou os lábios.
– Sim, senhor Williams.
Se não lhe interessasse o trabalho, simplesmente diria que não à rapariga. Tinha algum dinheiro poupado com o qual conseguiria aguentar-se durante alguns meses.
Quando voltou para a casa dos trabalhadores, os homens já tinham ido trabalhar. Todos conheciam a situação, portanto, nenhum se surpreenderia por se ir embora do rancho.
Jake não demorou muito a arrumar as suas coisas. O mais importante era o seu cavalo, Apache. Era um animal bem treinado e muita gente tinha querido comprá-lo, mas não tinha intenção de se desfazer dele, de modo que o colocou no atrelado, guardou as suas coisas no banco traseiro da carrinha e seguiu pela estrada que levava ao rancho Rocking B.
Penny passeava pela cozinha, esperando que Jake Larson aparecesse. Certamente, Dexter Williams já lhe teria explicado a situação e seria um alívio ter alguém responsável pelo rancho. Ela sabia tão pouco sobre as decisões que deveria tomar… Pensava esforçar-se ao máximo, mas precisava de ajuda.
Quando olhou pela janela, viu que uma carrinha com atrelado parava à entrada. A porta abriu-se e um homem alto e magro saiu dela. Dexter dissera-lhe que Jake Larson tinha fama de mulherengo, mas ela pensava deixar-lhe bem claro que não tinha o mínimo interesse nele.
Quando se aproximava, surpreendeu-a ver que não era o típico rapaz bonito. Era muito atraente, certamente… mas ela não estava interessada. Ela queria aprender a gerir um rancho, não queria um namorado.
Penny esperou até que batesse à porta e respirou fundo, antes de abrir.
– Sim?
– Sou Jake Larson. O senhor Williams disse-me que precisava de um capataz.
– Entre, senhor Larson. Quer um café?
– Sim, por favor.
Penny levou-o até à cozinha e indicou-lhe que podia sentar-se.
– Espero que o senhor Williams lhe tenha explicado que teria de me ensinar a gerir o rancho.
– Sim, disse-me, mas não sei se serei o mais indicado para isso. Não estou habituado a explicar como se faz o meu trabalho.
– Entendo, senhor Larson, mas receio que seja absolutamente necessário.
– Se confiar em mim para fazer o trabalho, porque tenho de lhe ensinar?
– Porque acho que devo conhecê-lo tão bem como você. Se não, não poderei dar-lhe a minha opinião sobre nada.
– Não é uma coisa fácil de aprender. Nem de ensinar. Eu não posso ensinar-lhe tudo o que sei em alguns meses… nem sequer num ano. Demoraria mais do que isso.
– Entendo, mas tenho de começar por algum lado.
– Entende que teria de adiar as perguntas até ao fim do dia? Nem sempre há tempo durante o dia de trabalho para responder a perguntas.
– Sim, posso ser flexível.
Jake Larson olhou para ela em silêncio durante alguns segundos e Penny susteve a respiração. Os seus olhos escuros eram tão indecifráveis que não sabia se tinha aceitado o trabalho ou se estaria a rejeitá-lo.
Finalmente, ele estendeu a mão.
– Muito bem, menina Bradford, aceito. Tem um novo capataz.
Penny apertou a sua mão, contente.
– Quer que lhe mostre a casa dos trabalhadores?
– Sim, menina Bradford.
Penny levou-o até lá. Limpara o quarto de Gerald no dia anterior, depois de falar com Dexter Williams, e esperava que gostasse.
– Este era o quarto do antigo capataz. Pode pôr a sua roupa suja na cesta. Vou contratar uma governanta e ela lavará a roupa uma vez por semana – depois parou, olhando à sua volta. – Não despedi o resto dos trabalhadores, mas se encontrar algum a fazer alguma coisa ilegal, despeça-o sem contemplações.
– Sim, menina Bradford.
– Então, deixo-o. Os homens voltarão ao entardecer… Bom, um deles volta antes. Sam, o cozinheiro.
O capataz assentiu e Penny saiu antes de começar a responder com um «sim, senhor Larson» aos seus «sim, menina Bradford». Com um pouco de sorte, Jake faria bem o seu trabalho e ensiná-la-ia.
Jake observou-a enquanto voltava para casa. Era demasiado jovem, pensou. Ou talvez fosse o seu nome… Penny parecia o nome de uma menina. Embora não fosse uma menina, não. Tinha corpo de mulher.
Mas ele não pensava mostrar o mínimo interesse por ela. Tinha aprendido a lição. Os romances e o trabalho não se misturavam, portanto, evitaria qualquer tipo de sedução.
Olhando à sua volta, decidiu que gostava de ter um quarto separado dos trabalhadores. Estava farto de partilhar o quarto com outras pessoas. E se o cozinheiro fosse bom, seria ouro sobre azul. A comida marcava a diferença em alguns trabalhos.
Jake saiu de casa para tirar Apache do atrelado e levá-lo para os estábulos.
– Aqui, estarás bem, amigo.
Depois de confirmar que tinha água e comida, voltou para o seu quarto para arrumar as suas coisas. Que alguém lhe lavasse a roupa era muito bom. E tinha uma bonita secretária para se encarregar da papelada.
Dexter tinha razão: estava preparado para ser capataz. E, inclusive, ensinaria a Penny Bradford tudo o que ele sabia sobre ranchos. Afinal de contas, era um trabalho que adorava.
Depois de comer, Penny passeava de um lado para o outro, nervosa, enquanto aguardava a chegada de uma mulher que ia entrevistar para o lugar de governanta.
Embora ela sempre tivesse ajudado a sua mãe nas tarefas da casa, se ia estar em cima de um cavalo o dia todo, seria necessário que alguém se encarregasse da cozinha.
Mas não sabia se suportaria viver com uma estranha e aquela entrevista deixava-a mais nervosa do que a de Jake Larson.
Alguns minutos depois, ouviu um rangido de pneus à porta e saiu para o alpendre para cumprimentar uma mulher de uns cinquenta anos e expressão agradável, que se apresentou como Harriet Buckner.
– Entre, por favor, senhora Buckner.
– Que cozinha tão bonita! – comentou a mulher.
– Sim, os meus pais reformaram-na há um ano.
– Ah, contaram-me o que aconteceu... Lamento.
– Obrigada – suspirou Penny. – Eu costumava ajudar a minha mãe na cozinha e na limpeza da casa, mas agora tenho de aprender a gerir o rancho e não acho que tenha tempo. Por isso, estou à procura de uma governanta.
– Eu aprendi a cozinhar quando era menina e adoro. E também gosto de fazer limpezas e de ter tudo arrumado.
– Disse ao novo capataz que lhe lavaria a roupa… Espero que não se importe. E talvez tenha de cozinhar ocasionalmente alguma coisa para os trabalhadores.
– Parece-me muito bem. Comeremos sozinhas diariamente?
– Talvez, algum dia, venha cá a minha prima Sally ou talvez convide, de vez em quando, o capataz para lhe fazer perguntas. Não sei nada sobre como gerir um rancho.
– Entendo – a mulher sorriu.
– Acha que gostará do trabalho?
– Com certeza que sim. Este sítio é lindo.
Penny deixou escapar um suspiro.
– Venha comigo, vou mostrar-lhe o seu quarto – decidira que o quarto de hóspedes no primeiro andar seria perfeito para a governanta. – Este quarto é para si. Tem casa de banho.
– É muito bonito, eu gosto – Harriet sorriu.
– Precisa de voltar a Trinity para ir buscar as suas coisas?
De repente, a mulher corou.
– Não! Trouxe as minhas coisas comigo. É que o ganadeiro para quem trabalhava decidiu que… estava interessado em casar-se comigo. Mas só tinha passado um mês desde a morte da sua mulher e dei-me conta de que estava à procura de uma governanta de graça.
– Ah, entendo… – Penny sorriu.
– A verdade é que, depois disso, lhe agradeço muito por me oferecer este trabalho.
– Não, sou eu quem lhe está agradecida. Eu limparei o meu quarto, a senhora só tem de cozinhar e limpar o andar de baixo.
– Muito bem. A que horas quer que sirva o pequeno-almoço?
Penny franziu o sobrolho.
– O capataz não disse a que horas tem de estar pronto. Vou perguntar-lhe, enquanto a senhora guarda as suas coisas.
Uma vez no alpendre, deixou escapar um suspiro de alívio. Harriet parecia muito agradável e seria fácil dar-se bem com ela.
Mas, quando ia bater à porta da casa onde dormiam os trabalhadores, ouviu uma voz nos estábulos e, ao espreitar, viu Jake Larson a acariciar um cavalo.
– Que bonito! É seu?
Ele virou-se.
– Sim, é meu. Chama-se Apache. É verdade, tirei um pouco de palha do celeiro.
– Parece-me muito bem – disse Penny. – Os homens costumam deixar os seus cavalos nos estábulos. Assim, é mais fácil montar de manhã.
– Sim, imagino.
– Vim perguntar-lhe a que horas começamos amanhã de manhã.
– Normalmente, tomamos o pequeno-almoço às seis e meia, para sairmos às sete horas. Sabe andar a cavalo?
– Sim, claro.
– Muito bem, então, vemo-nos às sete horas.
– Levamos almoço?
– Quer organizar um piquenique? – perguntou ele, irónico.
Penny apertou os lábios, furiosa.
– Não, não quero organizar nenhum piquenique, mas costumo almoçar. E não queria perder tempo a voltar aqui.
– Leve o que quiser, mas terá de comer em cima do cavalo. Eu não costumo comer nada à hora de almoço.
– Muito bem. Vemo-nos às sete horas.
Penny virou-se, sem esperar por resposta.
Capítulo 2
Penny voltou para casa, com os dentes cerrados. Que antipático! O que achava, que ia organizar um piquenique romântico para ele? Pois, estava muito enganado. E teria de fazer alguma coisa para que Jake Larson não voltasse a enganar-se com ela.
Uma vez em casa, dirigiu-se para o quarto de Harriet.
– Tudo bem?
– Sim, menina Bradford. A que horas tem de se levantar?
– Tenho de tomar o pequeno-almoço às seis e meia… portanto, tenho de me levantar às seis horas. O capataz chama-se Jake Larson e, na verdade, não é muito simpático.
– Ah, não? E porque o contratou?
– Porque, segundo Dexter Williams, é muito bom. Embora me tenha avisado de que é um mulherengo – respondeu Penny, indignada. – Quando lhe perguntei se devia levar almoço amanhã, pensou que queria organizar-lhe um piquenique romântico!
– E era o que queria?
– Claro que não! Além disso, perguntou-o de maneira sarcástica, como se fosse a última coisa que ele queria.
– Estou a ver.
– A partir de agora, terei cuidado. Eu não estou à procura de namorado.
– Então, não vai levar almoço?
– Preciso que seja alguma coisa que possa comer em cima do cavalo. O que poderia levar?
– Uma sandes e uma maçã – sugeriu a governanta.
– Boa ideia! Ai, esqueci-me de levar Stormy para os estábulos. Volto já! Se lhe parecer bem, entretanto pode verificar o que falta na despensa.
– Muito bem.
Penny vestiu o casaco e colocou o gorro de lã, e, uma vez nas cavalariças, dirigiu-se para o seu animal favorito, uma égua escura chamada Stormy, que o seu pai lhe tinha oferecido quando tinha quinze anos.
Demorou alguns minutos a convencê-la, mas conseguiu levá-la para os estábulos onde estava Apache, e, depois de lhe dar algumas palmadinhas no pescoço, voltou para casa.
Ao entrar na cozinha, recebeu-a um cheiro delicioso a café acabado de fazer.
– Vou beber uma chávena, se não se importar.
– Não, claro que não, foi para isso que o fiz – Harriet sorriu. – Já vi a despensa e acho que tem tudo o que preciso. E o congelador também está cheio. Diga-me, o que gosta de tomar ao pequeno-almoço?
– De manhã, bebo café e como cereais, ovos mexidos e bacon. Ah, e torradas! Aos sábados e domingos, gosto de comer torradas.
– Muito bem. Embora lhe sugira biscoitos de canela de vez em quando. Na verdade, saem-me muito bem.
– Óptimo! – Penny sorriu.
– Bom, vou fazer bifes para o jantar, se lhe parecer bem. Quer que faça uma salada?
– Sim, por favor. Estou disposta a experimentar tudo.
– Então, vamos dar-nos bem – a governanta sorriu.
– Obrigada, Harriet. Fico contente por saber que, pelo menos, um dos meus novos empregados está contente.
Na manhã seguinte, fazia tanto frio que Penny vestiu um gorro de lã sob o chapéu que o seu pai costumava usar, umas luvas de pele e um casaco de couro abotoado até ao pescoço, sobre uma camisola grossa.
E, para comer, uma sandes e uma maçã. Sabia que ia ser um dia difícil e não ia armar-se em dura só para impressionar Jake Larson. Além disso, ela andava bem a cavalo, mas não costumava montar durante mais de duas ou três horas.
E, como mulher acautelada que era, levava um cantil ao ombro, que penduraria na sela, e também o velho impermeável do seu pai.
Tinha pensado muito nele naquela manhã. O seu pai nunca tinha esperado vê-la naquela situação e, por isso, não a preparara para isso. Sempre fora «a sua menina» e, por muito que lho tivesse pedido, recusara-se a ensinar-lhe em que consistia o trabalho no rancho. Mas agora era muito importante para ela. Pelo rancho e pelo seu pai, embora já não estivesse ali para a ver.
Uma vez nos estábulos, Penny selou Stormy e atou o impermeável e o cantil à sela, guardando o almoço no bolso.
Estava pronta às sete horas em ponto. Jake estava a sair de casa, a falar com um grupo de trabalhadores, e levantou o olhar, surpreendido, quando os outros a cumprimentaram.
– Achei que nos encontraríamos na casa.
– Pensei que seria mais rápido vir directamente para os estábulos. Como vê, já estou pronta.
Jake fez uma careta, mas, uma vez selado Apache, aproximou-se dela.
– Pensei em dar uma olhadela por toda a propriedade para a conhecer um pouco melhor. Parece-lhe bem?
– Sim, claro.
– Conhece a propriedade toda?
– É claro!
Penny fez-lhe uma descrição dos pastos. Tinha ouvido tantas vezes o seu pai a falar do rancho que o sabia de cor.
– Disse aos trabalhadores que continuem o seu trabalho como antes, até que decida se será necessário fazer alguma mudança – continuou ela.
– E estão todos de acordo?
– Sim, claro. Se não fosse assim, tê-los-ia despedido.
– Entendo.
Por volta do meio-dia, Penny tirou o seu almoço e comeu, enquanto continuavam a percorrer o rancho. Estava cansada depois de cinco horas sobre a sela, mas não pensava dizer-lho. Felizmente, depois de comer, chegaram à beira de um riacho e Jake sugeriu que parassem um pouco. Penny levou Stormy e Apache até à borda para que bebessem um pouco e, depois de partir o caroço da sua maçã ao meio, deu uma parte a cada um como presente.
– O que deu aos cavalos?
– O caroço da maçã – respondeu ela.
– Ah, obrigado! Apache gosta muito de maçãs.
– Stormy também – embora não lhe apetecesse nada subir novamente para a sela, Penny pôs um pé no estribo.
– Importa-se se andarmos um pouco pela beira do riacho? – sugeriu Jake, então. – Quero ver quanta água tem.
– Muito bem – Penny pegou nas rédeas de Stormy e começou a andar, contente por poder esticar as pernas.
Jake fez-lhe muitas perguntas sobre o rancho, sobre o trabalho dos trabalhadores… Conseguia responder a algumas, mas a outras não e pensou que poderia encontrar as respostas em casa.
– Tinha-me esquecido, mas o meu pai tinha uns diários onde anotava tudo o que se fazia no rancho. Quer dar-lhes uma olhadela?
– Sim, seria bom. Prometo devolver-lhos assim que acabar.
– Na verdade, não tive tempo para olhar para eles… Ainda nem sequer abri os armários.
– Se não estiver preparada, posso esperar.
– Não, não, procurá-los-ei ainda esta noite.
– Agradeço-lhe – Jake sorriu. – Imagino que este rancho dê lucro.
– Sim, mas, na verdade, não sei muito sobre isso. E também não sabia que o antigo capataz andava a roubar o meu pai. Apanhei-o a gabar-se de ter roubado cinquenta mil dólares nos últimos quatro anos sem que ninguém se desse conta.
Jake assobiou.
– Pois, isso é muito dinheiro.
– Eu sei. Suponho que o meu pai confiasse completamente nele.
– Eu fazia muita papelada para o senhor Williams, portanto, posso ensinar-lhe a tratar das contas.
– Óptimo, isso seria muito bom!
– Bom, acho que devíamos voltar a montar. Quero voltar para casa antes que se faça de noite.
O passeio tinha activado um pouco as pernas de Penny. E, embora não soubesse se Jake o tinha sugerido a pensar nela, agradecia-lhe de qualquer forma.
Mas quando chegaram aos estábulos, cinco horas depois, tendo visto apenas metade do rancho, quase não conseguia segurar os arreios e desceu da sela, rezando para que as suas pernas a segurassem.
– Pode ir para casa. Eu encarrego-me de Stormy.
– Não, não é preciso…
– Portou-se muito bem, mas sei que não está habituada a montar durante tantas horas. Quando se tiver habituado poderá desselar Stormy, mas agora devia descansar.
Penny olhou para ele nos olhos para ver se estava a ser condescendente com ela. Alguma coisa neles lhe disse que podia confiar em Jake Larson e isso, não sabia porquê, pô-la nervosa.
– Muito bem, obrigada – quando largou a sela esteve prestes a cair no chão, mas uns braços fortes seguraram-na.
– Sente-se bem?
– Sim, obrigada – praticamente a cambalear e morta de vergonha, Penny dirigiu-se para casa. Mas, a pouco e pouco, as suas pernas foram acordando e conseguiu chegar à cozinha da sua casa.
– Está cansada? – Harriet sorriu, pondo uma chávena de café sobre a mesa.
Ela só respondeu depois de beber um gole.
– Sim, foi um dia muito longo. E só vimos metade do rancho.
– Suponho que, a pouco e pouco, se tornará mais fácil. Quer jantar agora ou prefere tomar banho antes?
– Importa-se que tome banho antes? Acho que apreciaria mais o jantar depois de um duche quente.
– Porque haveria de me importar? Eu estarei pronta quando você estiver.
– Obrigada, Harriet – Penny saiu da cozinha com a chávena de café na mão.
Meia hora depois, voltava a sentar-se à mesa para jantar e, quando acabaram, a governanta sugeriu que fosse imediatamente para a cama.
– Não posso, prometi a Jake que procuraria os diários do meu pai. Acho que lá encontraremos muita informação sobre como geria o rancho.
– Quer que a ajude a procurá-los?
– Não se importa? Não acho que seja muito difícil encontrá-los, mas… não entrei no seu quarto desde que morreram e talvez seja melhor estar com alguém.
– Claro que não – Harriet sorriu. – Vou colocar os pratos na máquina de lavar loiça enquanto você descansa um pouco e depois vamos procurá-los juntas.
Penny bebeu o último café, tentando não se sentir culpada enquanto via a governanta a trabalhar.
– Sinto-me mal a vê-la a trabalhar enquanto eu não faço nada.
– Tolices, é para isso que estou aqui! Se tivesse passado o dia todo a andar a cavalo não conseguiria mexer-me.
Alguns minutos depois, subiam juntas até ao quarto dos seus pais, Penny com um nó na garganta. Tinham morrido dois meses antes, mas ainda não tinha tido coragem para entrar no quarto.
– Quer ficar sozinha alguns minutos ou prefere que entre consigo?
– Não… Prefiro não estar sozinha.
Harriet foi a primeira a entrar, deixando que Penny demorasse o seu tempo.
– A sua mãe era uma dona de casa óptima.
– Sim, era muito organizada – murmurou ela, olhando para o quarto que não tinha mudado desde que era menina. O edredão às flores tinha perdido cor com a passagem dos anos, mas continuava a ter bom aspecto.
– Tem ideia de onde poderão estar esses diários? – perguntou Harriet.
– Acho que na mesa-de-cabeceira. A minha mãe queixava-se sempre de que ele escrevia à noite, enquanto ela tentava dormir.
Penny abriu uma gaveta da mesa-de-cabeceira… e ali estavam. O seu pai comprava todos os anos o mesmo estilo de diário, com folhas pautadas e encadernados em pele.
– Este quarto é muito maior do que o seu? – perguntou Harriet.
– Sim – respondeu ela, surpreendida. – Mas trate-me por tu, por favor.
– Ah, está bem! Se quiseres dormir aqui, posso limpar o quarto.
– Não, não! Não posso fazer isso.
– Os teus pais já não estão cá, Penny. Agora, é a tua casa – disse a mulher, apertando a sua mão.
– Eu sei, mas parece-me tão cedo… Se calhar, dentro de algum tempo.
– Se te parecer bem, podíamos levar a roupa para a paróquia. Faz muito frio aqui e há gente a quem daria jeito.
– Sim, é verdade – murmurou Penny. – Amanhã, tirarei a roupa que ainda estiver boa.
Depois, vestiu o casaco, o gorro e as luvas, e dirigiu-se para a casa dos trabalhadores. Quando bateu à porta, ouviu murmúrios e passos apressados, como se os homens estivessem a tentar ficar apresentáveis a toda a pressa. Quem abriu a porta foi Barney, um dos trabalhadores mais antigos.
– Importas-te de dizer ao senhor Larson que vim vê-lo?
– Sim, menina Bradford. Um minuto.
Apoiando-se na parede, Penny esperou, até que Jake saiu do seu quarto.
– Sim?
– Trago-lhe os diários do meu pai, o deste ano e o do ano passado.
Jake pegou nos diários com muito cuidado, como se soubesse como eram importantes para ela, e Penny sentiu um nó na garganta.