Kitabı oxu: «Desejo mediterrâneo»

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Editado por Harlequin Ibérica.

Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

Núñez de Balboa, 56

28001 Madrid

© 2018 Miranda Lee

© 2021 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

Desejo mediterrâneo, n.º 1849 - fevereiro 2021

Título original: The Italian’s Unexpected Love-Child

Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd

Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial.

Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.

Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.

® Harlequin, Sabrina e logótipo Harlequin são marcas registadas propriedades de Harlequin Enterprises Limited.

® e ™ são marcas registadas por Harlequin Enterprises Limited e suas filiais, utilizadas com licença.

As marcas em que aparece ® estão registadas na Oficina Española de Patentes y Marcas e noutros países.

Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited.

Todos os direitos estão reservados.

I.S.B.N.: 978-84-1375-249-5

Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.

Sumário

Créditos

Prólogo

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

Capítulo 11

Capítulo 12

Capítulo 13

Capítulo 14

Capítulo 15

Capítulo 16

Capítulo 17

Capítulo 18

Capítulo 19

Capítulo 20

Capítulo 21

Capítulo 22

Capítulo 23

Capítulo 24

Capítulo 25

Capítulo 26

Capítulo 27

Capítulo 28

Capítulo 29

Epílogo

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Prólogo

Laurence abanou a cabeça enquanto lia o relatório do detetive pela segunda vez. Sentia-se frustrado e dececionado. Presumira que a filha já estaria casada àquela altura. Casada e com filhos. Tinha vinte e oito anos e era uma beleza. Uma verdadeira beleza.

Estudou a fotografia que havia no relatório e sentiu-se orgulhoso por os seus genes terem criado uma criatura tão bela. Bela, mas sem filhos.

Que desperdício!

Suspirou e voltou a ler o relatório.

Há três anos, Veronica estivera noiva de um médico que conhecera no hospital infantil em que trabalhava. Era fisioterapeuta e o noivo era cirurgião ortopedista, mas falecera tragicamente num acidente de mota duas semanas antes do casamento. Depois, que ele soubesse, Veronica não saíra com outras pessoas. Nem sequer parecia ter muitos amigos. Transformara-se numa pessoa solitária, que continuava a viver com a mãe e que, praticamente, dedicava toda a sua vida à profissão que, naquele momento, exercia em casa.

Laurence compreendia a sua dor. Também ficara devastado com a morte da esposa há vários anos. Ambos tinham imaginado que, algum dia, sofreria de cancro, devido à sua história familiar, mas fora um enfarte que a levara depois de quarenta anos de casamento. Fechara-se em copas durante muito tempo, mudara-se para a casa de férias que tinha na ilha de Capri e não voltara a olhar para outra mulher, mas aquilo acontecera-lhe com setenta e dois anos, não com a idade da filha, que continuava a ser muito jovem.

Contudo, Veronica não seria jovem para sempre e o seu relógio biológico não ia esperar.

Sabia muito daquilo porque era médico geneticista. Fora por isso que doara o seu esperma à mãe de Veronica. Fizera-o mais por arrogância do que por qualquer outro motivo, porque não quisera morrer sem transmitir os seus genes maravilhosos.

Laurence abanou a cabeça. Sentia-se culpado. Pensou que devia ter entrado em contacto com a filha depois da morte de Ruth. E que devia ter estado ao seu lado quando ela perdera o noivo.

Porém, já era demasiado tarde.

Ele também estava a morrer, ironicamente, de cancro. De cancro do fígado. Já não podia fazer-se nada. O prognóstico não era bom e a culpa era dele. Depois da morte de Ruth, começara a beber demasiado.

– Bati à porta – avisou um homem –, mas não me ouviste.

Laurence levantou o olhar e sorriu.

– Leonardo! Ainda bem que vieste. O que fazes aqui tão cedo?

– Amanhã, é o septuagésimo quinto aniversário do meu pai – comentou Leonardo, enquanto entrava no terraço e se sentava ao sol do entardecer, que fazia brilhar o Mediterrâneo. – Dio, Laurence. És muito sortudo por ter esta vista.

Laurence olhou para Leonardo e pensou que era muito bonito. E que estava cheio de vida. Era normal, só tinha trinta e dois anos e era um homem com múltiplos talentos, um homem que qualquer mulher acharia fascinante e irresistível.

Aquilo deu-lhe uma ideia.

– A minha mãe disse-me que te convidou para a festa, mas que não vens. Aparentemente, vais a Inglaterra amanhã, ao médico.

– É verdade – confirmou Laurence, enquanto fechava o relatório para que Leonardo não o visse. – O meu fígado não está bem.

– Estás um pouco amarelo. É grave?

Laurence encolheu os ombros.

– Com a minha idade, é tudo grave. Vieste jogar xadrez e ouvir música decente ou tentar comprar a casa outra vez?

Leonardo desatou a rir-se.

– Podemos fazer as três coisas?

– Podes tentar, mas já sabes que a casa não está à venda. Podes comprá-la quando eu morrer.

Leonardo olhou para ele com surpresa e ficou sério, algo pouco habitual nele.

– Espero que demore muitos anos, meu amigo.

– Isso é muito amável da tua parte. Abro uma garrafa de vinho ou não? – perguntou Laurence, levantando-se com o relatório na mão.

– Tens a certeza de que é o mais sensato, dadas as circunstâncias?

Laurence sorriu com amargura.

– Não penso que um copo ou dois vá mudar alguma coisa.

Capítulo 1

Veronica sorriu enquanto acompanhava o último cliente à porta. Duncan tinha oitenta e quatro anos e namorada, apesar da sua ciática terrível, mas não era dos que se queixavam.

– Até à semana que vem, Duncan.

– Na semana que vem não posso vir, querida. Fazes-me muito bem, mas a minha neta faz vinte e um anos e vou a Brisbane para a festa. Tenciono ficar uma semana ou duas em casa do meu filho. Lá, está uma temperatura melhor. Ligo-te quando voltar.

– Está bem, diverte-te, Duncan.

Viu-o a afastar-se para casa. Quase todos os seus pacientes eram pessoas idosas que viviam na zona, embora também tratasse estudantes da universidade de Sidney. Sobretudo, homens jovens que jogavam râguebi e futebol e iam vê-la para que os ajudasse com as lesões.

Sinceramente, preferia as pessoas idosas, pois não tentavam seduzi-la.

Embora soubesse como livrar-se das insinuações, visto que o fazia desde a puberdade. Eram as consequências de ter nascido bonita. Não tinha sentido fingir que não era. Tivera muita sorte com o seu aspeto. Tinha um rosto bonito, o cabelo castanho e ondulado, uma boa pele e uns olhos grandes e cor de violeta.

Jerome sempre lhe dissera que era uma beleza natural.

«Jerome…»

Veronica fechou os olhos por um instante e tentou não pensar nele, mas era impossível. A morte repentina do seu noivo fora muito difícil, contudo, o que mais lhe doera fora o que descobrira depois.

Ainda não conseguia acreditar que era tão… retorcido.

Fora muito ingénua. E vivera de perto o sofrimento da mãe com o sexo oposto e o seu cinismo no que dizia respeito ao assunto. Sempre gostara de homens. Gostara deles e admirara-os. Também soubera que alguns gostavam de brincar, mas sempre mantivera a distância desses.

Também não era uma dissimulada, mas não suportava os homens que infringiam as regras da sociedade só porque sim, nem os homens desrespeitosos, insensíveis ou irresponsáveis. O seu homem perfeito, com quem sempre quisera casar-se, não seria nada daquilo. Seria um homem de sucesso, e preferivelmente bonito, mas o mais importante era que fosse uma boa pessoa. Ao fim e ao cabo, não seria apenas o seu marido, mas também o pai dos seus filhos. Veronica queria ter pelo menos quatro.

Quando Jerome falecera, pensara que perdera o marido perfeito.

No entanto, não era perfeito, nem de perto.

Veronica cerrou os dentes enquanto ia para a cozinha. Pelo menos, continuava a ter o seu trabalho. Talvez não tivesse vida pessoal, nem fosse realizar o seu sonho de constituir uma família, talvez já não acreditasse no amor, mas continuava a ter vida profissional. Aliviar a dor de outras pessoas era algo que a satisfazia.

Estava a pôr água a ferver quando o seu telemóvel tocou.

Devia ser um cliente, porque não costumava receber muitas chamadas pessoais.

– Sim?

– É a menina Veronica Hanson? – perguntou um homem com algum sotaque. Possivelmente italiano.

– Sim, diga – respondeu ela.

– O meu nome é Leonardo Fabrizzi – apresentou-se ele.

E Veronica quase deixou cair o telemóvel. Não podia haver muitos italianos chamados Leonardo Fabrizzi no mundo.

– Leonardo Fabrizzi, o esquiador? – perguntou, sem pensar.

Houve vários segundos de silêncio.

– Conhece-me? – perguntou ele.

– Não, não – respondeu ela, porque não o conhecia.

Embora se tivessem visto uma vez, há muitos anos, na Suíça, mas não tinham sido apresentados, portanto, não a conhecia. Veronica conhecia-o porque, já nessa altura, ganhara um campeonato do mundo e era famoso pela sua temeridade, dentro e fora das pistas. Conquistara a fama de playboy e, naquela noite, quase se transformara em mais uma das suas conquistas.

– Eu… ouvi falar de si – acrescentou, num tom ligeiramente trémulo. – É famoso no mundo do esqui e gosto de esquiar.

De facto, durante uma época, estivera obcecada com o esqui, que começara a praticar com uma amiga que a levara com ela de férias.

– Já não sou um esquiador famoso – explicou ele, bruscamente. – Reformei-me há muito tempo. Agora, sou apenas um homem de negócios.

– Entendo – respondeu ela.

Veronica também não voltara a esquiar desde a morte de Jerome.

– E como posso ajudá-lo, senhor Fabrizzi? – perguntou, pensando que talvez estivesse na Austrália por negócios e precisasse de uma massagem.

– Lamento ter de lhe dar uma má notícia – disse ele.

– Uma má notícia? – repetiu Veronica, surpreendida. – Que má notícia?

– O Laurence faleceu.

– O Laurence? Que Laurence? – perguntou ela, não conhecia nenhum Laurence.

– O Laurence Hargraves.

– Lamento muito, mas esse nome não me diz nada.

– Tem a certeza?

– Sim.

– Que estranho, porque ele conhecia-a. É uma das beneficiárias do seu testamento.

– O quê?

– O Laurence deixou-lhe uma coisa no seu testamento. Uma casa na ilha de Capri.

– O quê? Isso é ridículo! Não está a fazer uma brincadeira?

– Garanto-lhe que não é uma brincadeira, menina Hanson. Sou o testamenteiro. Se é a Veronica Hanson e vive em Glebe Point Road, em Sidney, na Austrália, é a dona de uma villa linda na ilha de Capri.

– Mas isso é incrível.

– Estou de acordo – confirmou ele. – Eu era amigo íntimo do Laurence e nunca o ouvi a falar de si. É possível que fossem família distante? Tio-avô ou uma coisa dessas?

– Suponho que sim, mas duvido – admitiu Veronica.

A sua mãe era filha única e o pai, que não conhecia, não podia ter aquele apelido inglês. Que ela soubesse, era um estudante letão que vendera o seu esperma por dinheiro.

– Vou perguntar à minha mãe. Talvez ela saiba.

– Admito que é estranho – concedeu o italiano. – Talvez o Laurence tenha sido seu paciente ou familiar de um paciente. Trabalhou em Inglaterra? O Laurence vivia lá antes de vir para Capri.

– Não, nunca.

Embora tivesse estado na ilha de Capri. Um dia. A fazer turismo. Há muito tempo. E recordava ter admirado as villas enormes e ter pensado que seria preciso ser muito rico para viver lá.

Questionou-se se Leonardo Fabrizzi continuaria a ser rico. E se continuaria a ser um playboy.

«Isso não te diz respeito», pensou.

– É um mistério – continuou ele –, mas a questão é que poderá tomar posse da propriedade depois de os papéis estarem assinados e de pagar os impostos.

– Que impostos?

– Os impostos de sucessão, que serão consideráveis, tendo em conta a propriedade. Dado que não é parente do Laurence, oito por cento do valor de mercado da casa.

– E quanto é isso exatamente?

– A villa deve valer entre três milhões e meio e quatro milhões de euros.

– Meu Deus! – exclamou Veronica, que tinha algum dinheiro poupado, mas não tanto.

– Se isso for um problema, poderia emprestar-lhe o dinheiro, que me devolveria depois de vender a casa.

A oferta surpreendeu-a.

– Faria isso? Suponho que se demore algum tempo a vender semelhante propriedade.

A solução parecia perfeita, mas Veronica preferiu ser precavida e não aceitar a oferta imediatamente.

Ele devia ter sentido que hesitava.

– Se o que a preocupa é que tente enganá-la – acrescentou –, pode pedir outra avaliação. Vou pagar-lhe do meu bolso, em dinheiro.

Veronica revirou os olhos, não gostava das pessoas que se gabavam de ter muito dinheiro. Os pais de Jerome eram muito ricos e sempre a tinham feito ver que era muito sortuda por ir casar-se com o seu único filho.

– Talvez queira um pouco mais de tempo para pensar – sugeriu o italiano.

– Sim. Isto apanhou-me de surpresa, na verdade.

– Mas é uma surpresa agradável, não é? – replicou ele. – Dado que não conhecia o Laurence pessoalmente, a sua morte não a afeta. E a venda da villa vai dar-lhe um bom dinheiro.

– Suponho que sim.

– Espero que não se incomode com a minha pergunta, menina Hanson, mas preciso de confirmar a sua data de nascimento, que aparece no testamento – indicou ele, lendo a data.

– Sim, está correta, embora não saiba como esse tal Laurence podia saber isso.

– Então, fez vinte e oito anos no passado mês de junho?

– Sim.

– É do signo gémeos.

– Sim. Embora não seja o típico – replicou ela. – Acredita nos signos do zodíaco, senhor Fabrizzi?

– É claro que não. Todos somos donos do nosso destino – declarou ele, com firmeza.

Veronica achou-o um comentário arrogante, mas não lhe disse.

– Então, tem a certeza de que não conhece nenhum Laurence Hargraves? – insistiu Leonardo.

– Absoluta. E tenho muito boa memória.

– Que curioso…

– Também acho. Importa-se que também lhe faça algumas perguntas?

– Claro que não.

– Que idade tinha o meu benfeitor?

– Hum. Não tenho a certeza. Devia estar perto dos oitenta. Sei que tinha mais de setenta quando a esposa faleceu e já foi há uns anos.

– Então, era idoso e viúvo. Tinha filhos?

– Não.

– Irmãos?

– Não.

– E como faleceu?

– Com um enfarte. Ainda que, segundo a autópsia, também tivesse cancro do fígado. Algumas semanas antes de morrer, disse-me que ia ao médico a Londres, mas fez um testamento e faleceu quando saía do escritório do advogado.

– Ena…

– Talvez tenha sido melhor assim, o cancro já estava em fase terminal.

– Bebia muito?

– Eu não diria isso. Porém, quem sabe o que um homem faz em privado?

De repente, Leonardo parecia muito triste. Isso fez com que gostasse um pouco mais dele.

Talvez estivesse a ser injusta com ele, talvez já não fosse um playboy, podia ter mudado.

– Se me der o seu endereço de correio eletrónico – continuou ele –, posso enviar-lhe uma cópia do testamento para que me dê uma resposta depois de o ler. Ou posso ligar-lhe amanhã a esta mesma hora para que voltemos a falar.

– Amanhã a esta hora não me dá jeito.

Aos sábados costumava ir jantar cedo com a mãe a um restaurante vietnamita.

– Que horas são agora em Itália? – perguntou. – Porque está em Itália, não está?

– Sim, em Milão, no meu escritório. São nove e meia.

– Muito bem. Gostaria de falar com a minha mãe primeiro e perguntar-lhe se conhecia algum Laurence Hargraves. Talvez ela possa resolver o mistério. Em qualquer caso, não tenho nenhum problema em vender-lhe a villa, senhor Fabrizzi. Adoraria poder ir de férias a Capri, mas receio que não possa pagá-las. Ligo-lhe dentro de uma hora, mais ou menos.

– Ótimo. Estarei à espera da chamada, menina Hanson.

Trocaram números de telefone e endereços de correio eletrónico e Veronica desligou e percebeu que estava nervosa depois de ter falado com Leonardo Fabrizzi.

Subiu as escadas para a zona da casa que Nora mandara construir há vários anos, quando instalara o seu negócio lá.

De repente, teve uma ideia bastante desatinada a respeito de quem podia ser Laurence Hargraves. O coração acelerou e sentiu um nó no estômago. Pensou que mãe nunca lhe teria mentido, sobretudo, numa coisa dessas.

Respirou fundo várias vezes e bateu à porta do escritório da mãe. Tremiam-lhe as mãos e tinha a boca seca.

– Sim? – perguntou a mãe.

Ela virou a maçaneta da porta e entrou na sala.

A mãe, que estava sentada à frente do computador, não levantou a cabeça.

Aproximou-se da secretária e agarrou-se a ela com força.

– Mãe, o nome Laurence Hargraves é-te familiar?

A mãe empalideceu e ela já não sentiu medo, só desilusão.

– Era o meu pai, não era? – perguntou, num tom fraco.

Nora gemeu e assentiu com tristeza.

Veronica cerrou os punhos e tentou evitar que a emoção a invadisse. Não estava tão zangada desde que descobrira a verdade a respeito de Jerome.

– Porque não me contaste a verdade? – inquiriu. – Porque me contaste essa história sobre o meu pai ser um estudante pobre da Letónia? Porque não te limitaste a admitir que tinhas tido uma aventura com um homem rico?

– Eu não tive uma aventura com o Laurence! – negou a mãe. – Não foi assim. Não compreendes…

Tinha os olhos cheios de lágrimas.

Pela primeira vez na sua vida, Veronica não sentiu pena dela.

– Então, como foi, mãe? – perguntou, num tom frio. – Faz com que compreenda.

– Não podia contar-te porque dei a minha palavra ao Laurence de que não o faria.

– Deves saber que o teu Laurence morreu – informou ela. – E que me deixou uma coisa no testamento. O testamenteiro acabou de me ligar. Agora, sou a dona de uma villa na ilha de Capri. Que sorte a minha!

Nora limitou-se a olhar para ela.

– Mas… e a esposa?

– Também faleceu. Aparentemente, há uns anos.

– Oh…

– Oh…?

A mãe estava ali, atordoada e em silêncio.

– Parece-me, mãe – disse Veronica, tentando conter as emoções –, que chegou o momento de me contares a verdade.

Capítulo 2

Leonardo enviou uma cópia do testamento por correio eletrónico e tentou concentrar-se nos desenhos da próxima coleção de inverno, mas não foi capaz. Não conseguia parar de pensar na chamada que acabara de fazer para Sidney, na Austrália.

Quem era a tal Veronica Hanson? Porque é que Laurence nunca lhe falara dela?

Porque lhe deixara villa e doara o dinheiro à investigação sobre o cancro?

Era um mistério.

Com um pouco de sorte, a mãe da menina Hanson poderia dar-lhes um pouco de informação.

Olhou para o relógio e percebeu que tinham passado menos de dez minutos. Infelizmente, não podia esperar que Veronica Hanson retribuísse a chamada tão depressa.

Suspirou. Sabia que não ia conseguir concentrar-se em nada até falar com ela. A paciência nunca fora uma das suas virtudes, mas não tinha outra alternativa senão esperar.

Embora não tivesse de esperar ali sentado.

Embora tivesse dito à menina Hanson que era um homem de negócios, e não podia negar que desfrutara de criar a sua própria empresa de roupa de desporto, continuava a ser um desportista, um homem de ação. E, na verdade, odiava estar fechado num escritório.

Decidiu sair para beber um café e sentiu-se melhor ao ar livre. O sol brilhava e havia uma brisa leve. Milão no fim de agosto era um lugar lindo, embora as ruas estivessem cheias de turistas.

Leonardo respirou fundo e foi ao seu café favorito, que estava um pouco escondido e que nunca tinha muitos clientes. Lá, o seu café expresso já o esperava quando chegou ao balcão. Bebeu-o com um gole, como de costume. A empregada sorriu e olhou para ele de forma insinuante. Era uma rapariga atraente.

– Grazie – agradeceu ele, voltando a pousar a chávena vazia no balcão e sorrindo brevemente, sem a mínima insinuação, pois não queria que a rapariga o interpretasse mal.

Na sua juventude, não teria deixado passar uma oportunidade assim, mas, por sorte, naquele momento, era capaz de controlar as hormonas. Além disso, tinha muito cuidado para não se deixar apanhar por uma caçadora de fortunas, como quase acontecera há alguns anos.

Saiu do café e dirigiu-se novamente para o escritório.

Pensou que nunca teria chegado a casar-se com aquela rapariga, mesmo que estivesse realmente grávida. Mesmo que o tivessem educado para que cumprisse as suas responsabilidades e os pais lhe tivessem dito repetidamente quando era jovem que, se engravidasse uma rapariga, teria de se casar com ela. E que, se não o fizesse, não valia a pena voltar para casa.

Leonardo adorava os pais e não teria suportado não voltar a vê-los, portanto, sim, teria tido de se casar. E teria amado o filho, mas a sua vida não teria sido como a planeara. Não queria casar-se nem ter filhos até se sentir pronto para isso. E, naquela época, não era assim.

Depois daquilo, nunca mais se esquecera de usar proteção.

E, como precaução acrescentada, só saía com mulheres independentes, que tivessem o seu próprio dinheiro. E cabeça.

Não tinha intenção de se casar até conhecer o amor da sua vida. Nunca sentira o que imaginava que devia sentir-se quando se estava loucamente apaixonado. Gostava de sexo, sim, mas, para ele, não havia nada comparável com a sensação de esquiar uma montanha coberta pela neve, sabendo que era mais rápido do que os seus adversários.

Leonardo suspirou. Tinha saudades daqueles tempos, antes de se lesionar e de ter de se reformar com vinte e cinco anos. Sim, como a menina Hanson dissera, fora um esquiador famoso. Mas a fama era efémera e já há sete anos que mudara de vida. Sete anos de sucessos, mas também de frustração. A Fabrizzi Sport Snow & Ski tinha sucesso e tornara-se um homem rico pelo seu próprio direito. Já não era apenas o neto mimado de um multimilionário.

Mas não se sentia satisfeito. Às vezes, sentia-se completamente vazio, independentemente do que fizesse.

E fazia muitas coisas. Continuava a esquiar no inverno, embora não competisse. Navegava e fazia esqui aquático no verão, praticava escalada e rappel. E, recentemente, tirara a licença para pilotar pequenos aeroplanos e helicópteros. As férias frequentes estavam repletas de atividade, mas, quando acabavam, voltava ao trabalho sem ter sido capaz de encontrar a serenidade.

Só relaxava quando estava em Capri, no terraço de Laurence, a olhar para o mar e a beber uma das garrafas excelentes de vinho do seu amigo.

Voltou a pensar na herdeira misteriosa de Laurence. Esperava que lhe ligasse em breve e lhe confirmasse que ia vender a casa. Porque não só a queria, como precisava dela.

Olhou mais uma vez para o Rolex e apressou-se a subir para o seu escritório. Não queria atender a chamada da menina Hanson na rua.

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