Kitabı oxu: «Trabalho e prazer»

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© 2019 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
Trabalho e prazer, n.º 681 - agosto 2020
Título original: The Pregnant Mistress
Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd
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Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.
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Todos os direitos estão reservados.
I.S.B.N.: 978-84-1348-536-2
Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.
Sumário
Créditos
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Se gostou deste livro…
Capítulo 1
Samantha Brewster estava esgotada apesar de ter dormido como uma pedra na noite anterior. As viagens cansavam-na muito.
Para quê esperar? Não seria o momento perfeito para desaparecer discretamente?
A festa estava no seu auge. Os convidados de Carin e Rafe abarrotavam a sala, o grupo de música estava a tocar samba e todos estavam a divertir-se. Ninguém notaria a sua ausência, nem sequer a sua mãe e as suas irmãs.
Sam bebeu um gole de caipirinha e depois deixou o copo numa das pequenas mesas do terraço. Já tinha cumprido o seu dever ao aparecer na festa e poderia subir as escadas, descalçar os sapatos de salto alto, trocar a blusa e as calças de seda verde por uma camisa de noite e meter-se na cama. Era o que queria fazer depois de ter passado mais de quarenta e oito horas nos terminais dos aeroportos de Jakarta a Honolulu e de Honolulu a São Francisco, de São Francisco a Nova Iorque e de Nova Iorque a São Paulo.
Só de pensar naquilo ficava com vontade de se deitar no chão de mosaico do terraço e adormecer ali mesmo.
Sorriu ao imaginar a reacção das suas irmãs e da sua mãe. Marta ficaria horrorizada, mais do que há umas horas atrás, quando ela tinha brincado sobre a roupa que iria vestir para a festa de Carin e Rafe.
– Calças de ganga e T-shirt? – dissera Marta, fitando-a com terror. – Calças de ganga para a festa do quinto aniversário de casamento da tua irmã? Samantha, por favor…
– Mamã, não vês que Sam está a brincar? – Carin lançara-lhe um olhar apreensivo sobre a cabeça da sua mãe. – Não é, Sam?
– Claro que está a brincar – interveio Amanda, rapidamente, lançando-lhe o mesmo olhar de Carin.
Era uma pena a maneira como o casamento mudava as pessoas. No passado, as suas irmãs teriam reparado que era uma brincadeira, porque ela nunca iria a uma festa vestida com calças de ganga e T-shirt.
Sam passou a mão pelo cabelo, apesar de saber que não lhe serviria de nada. A húmida noite brasileira transformara os seus cabelos castanhos ondulados numa massa de caracóis indomáveis. No entanto, sabia que estava suficientemente apresentável para voltar para a sala e sorrir para qualquer um que quisesse falar com ela. Inclusivé, poderia chegar a convencer Carin, se se cruzasse com ela, de que se estava a divertir. A única coisa que tinha de fazer era sair da sala, atravessar o vestíbulo, chegar até às escadas e…
Sam conteve a respiração.
Um homem acabava de entrar na sala. Era alto, com ombros amplos e ancas estreitas, e ficava muito bem vestido de smoking. Tinha o cabelo preto e os olhos eram azuis ou cinzentos, não conseguia ver bem desde o terraço, mas conseguia distinguir o rosto cheio de ângulos e com as maçãs do rosto salientes.
Resumindo, era um homem impressionante. Só uma mulher que fosse cega é que não lhe prestaria atenção. De repente, não se sentiu tão cansada.
Se as suas irmãs queriam fazer de casamenteiras, porque é que não lhe apresentavam homens como aquele? No entanto, nem com um homem assim conseguiriam o que queriam, pois ela não estava interessada em assentar… e era precisamente aquele o motivo pelo qual a sua família nunca usava homens atraentes como anzóis.
A sua mãe e as suas irmãs pensavam que os homens atraentes não eram apropriados para ela porque não se queriam casar.
E tinham razão. Aquele tipo de homem não queria casar, mas ela também não queria. Reconhecia que a sua mãe tinha razão ao dizer que nem Jason, nem Brad, nem Charly tinham o casamento em mente, mas ela também não estava interessada em casar.
Infelizmente, a sua mãe não acreditava nisso, nem as suas irmãs, agora que se tinham casado. Ela tornara-se na «causa» das suas irmãs, que tinham tomado o partido da sua mãe. Por isso, sabia que entre os convidados deveria haver alguém que a sua família consideraria «apropriado» para ela.
Sam agarrou no copo de caipirinha da mesa e bebeu um gole.
O último homem perfeito que Marta, a sua mãe, achara apropriado tinha vinte e dois anos mais do que ela. O anterior àquele era um dono de um rancho, viúvo, que tinha passado uma tarde a falar do sémen dos touros.
Sam precisava de liberdade, procurava a aventura e uma relação passageira que lhe fizesse ferver o sangue.
Alguém como o homem de smoking, que aparecera na festa há uns minutos atrás.
Sam olhou à sua volta. Onde é que estava? Descobriu-o a falar com uma loura. Não, as suas irmãs não a apresentariam a alguém assim. Desde que se tinham casado que pareciam pensar que eram as únicas Brewster com direito a ter homens atraentes.
– Os homens com quem tu sais não são dos que se casam – dissera Amanda, durante o pequeno-almoço, e ela pensara com tristeza: «Mandy, o que é que te aconteceu?», estaria a sua irmã a tornar-se no retrato vivo de Marta?
– Por isso é que os acho interessantes – replicara ela.
Carin suspirara. E, no fim, as três irmãs tinham acabado por rir. Rafe e Nick tinham aparecido e tinham perguntado porque é que estavam a rir, o que as fizera rir ainda com mais vontade.
Mais tarde, Sam viu os quatro juntos a falarem em voz baixa. Ao vê-la, tinham-se calado. Os seus cunhados, os dois muito atraentes, coraram ao cumprimentá-la. E fora naquela altura que ela percebera que havia uma conspiração instigada pela sua mãe, da qual os seus cunhados e irmãs faziam parte.
A prova disso teve-a umas horas mais tarde.
– Estiveste na Grécia, não foi, Sam? – inquirira Nick, durante o almoço.
– Sim, é um sítio muito bonito – replicou ela.
– Sim, muito bonito – concordou Nick.
E todos concordaram.
Passado um bocado, Rafe aproximara-se dela quando estava deitada na cadeira de estender no terraço.
– Diz-me, Sam, falas grego?
– O grego dos turistas, só umas quantas palavras – replicara ela. – Porquê? É importante que fale grego?
– Não, não – respondeu ele, com rapidez.
Por isso, ficara assustada quando Carin e depois Amanda tinham passado pelo seu quarto enquanto se vestia para a festa e, com fingido interesse, tinham-lhe dito que era uma pena que não falasse grego porque um dos convidados, um velho amigo de Rafe e Nick, era grego.
– Apesar de não conhecer o senhor Karas, suponho que gostaria que alguém falasse a sua língua – murmurara Carin, fitando as suas unhas.
– É estranho que esse senhor seja amigo de Rafe e Nick se só fala grego – comentara ela. – Pergunto-me como é que se entendem.
As suas irmãs responderam imediatamente que Demetrios Karas também falava inglês.
– Ah, é assim que se chama, Demetrios Karas?
Sim, e tinha uma grande empresa de barcos de carga. E, embora ela não falasse grego, deveria mostrar-se amável…
– Isso seria uma grande ajuda para Rafe e para mim – acrescentara Carin, com um sorriso radiante.
– Seria boa ideia se tentasses agradar ao senhor Karos esta noite.
Sam, com o copo de caipirinha na mão, voltou a suspirar.
O que ia fazer era retirar-se para o seu quarto. No dia seguinte, desculpar-se-ia perante as suas irmãs com a desculpa de estar cansada. Imaginava como seria o senhor Karas, baixo, gordo e apropriado para ela por causa do seu negócio.
No entanto, não se teria importado de sorrir para o homem do smoking. Mas não o ia fazer porque estava demasiado cansada, e a sua família era capaz de ficar zangada com ela se a vissem com aquele homem… tão perigoso para ela. Ali estava ele, rodeado por mulheres, duas loiras, uma morena e uma com um cabelo de várias cores. E todas elas a olhar embevecidas para ele.
Oh! Deveria estar muito cansada. Gostava de homens e gostava de sexo, mas não se permitiria ter fantasias com…
Sam viu Carin a entrar na sala e, de repente, dirigir-se para o homem de smoking… E, por cima da cabeça da sua irmã, o homem olhou directamente para ela!
Sam ficou com o pulso acelerado. Ele tinha os olhos azuis da cor do céu do Verão da Costa Azul. Carin afastou-se ligeiramente dele e disse qualquer coisa. Ele riu e voltou a sua atenção para Carin… e o momento passou.
Sam respirou fundo. O momento passara? Nem tinha existido. Ele não a podia ter visto na escuridão do terraço.
Sam sentiu-se cansada. A mão tremeu-lhe quando levou o copo aos lábios. Era ridículo sentir-se daquela maneira. O bom era que estava sozinha no meio da noite magnífica, carregada da fragrância das flores dos vasos e iluminada pela lua, que banhava a pradaria brasileira.
– Olá.
O coração pareceu querer saltar-lhe do peito. Virou-se… mas não era ele. E também não podia ser o grego. Era um homem alto, de aspecto agradável e de cabelo da cor da areia. Muito civilizado, demasiado.
Sam pestanejou e cumprimentou.
– Olá, sou Samantha Brewster.
– Tenho muito prazer em conhecer-te.
– O prazer é todo meu. Por acaso não te chamas Demetrios, pois não?
Ele riu.
– Não, nada disso! Sou Jack Adams. Sou um colega de escola de Nick e de Rashid e tu deves ser a cunhada, não é?
– Sim, nesse caso deves conhecer a sua esposa, a minha irmã – comentou Sam, educadamente.
Jack conhecia-a. Falaram sobre Filadélfia, onde ele morava, e Nova Iorque, onde ela tinha um apartamento. Também falaram da Indonésia, onde Sam acabava de estar, e de Nova Jersey onde ele acabara de estar.
Depois Jack ficou calado, aclarou a garganta e disse que talvez pudessem voltar a encontrar-se, quando ele fosse a Nova Iorque em viagem de negócios.
– Sim, gostaria muito – replicou Sam. – O caso é que nunca estou em casa. Estou a viajar constantemente.
Jack sorriu com frieza.
– Sim, eu sei.
Depois desculpou-se e entrou para se misturar com os outros convidados.
Sam voltou a beber um gole da sua caipirinha.
Talvez não devesse ter ido à festa em Rio de Ouro, sobretudo depois de três meses a traduzir do italiano para o inglês e vice-versa no seu trabalho de intérprete entre um grupo de etnologistas de Roma e de São Francisco. Mas não tinha querido perder a festa do quinto aniversário de Carin e Rafe, nem o quinto aniversário da sua sobrinha, dois acontecimentos separados no espaço de dois dias.
– Eu conheci Rafe numa festa assim – dissera a sua irmã, naquela manhã.
– E eu a Nick – acrescentara Amanda.
Sam suspirou e voltou a olhar na direcção da sala. Não viu Carin… mas o homem do smoking continuava ali, a falar com alguém cujo nome ela não se lembrava. O homem sorriu e o outro homem devolveu o sorriso. Os dois cumprimentaram-se e o outro afastou-se…
Samantha ficou com o coração a bater aceleradamente.
Agora não tinha dúvidas, aquele homem estava a olhar para ela, directamente, com um sorriso nos lábios… e começou a aproximar-se na direcção dela, abrindo caminho entre a multidão…
– Demetrios!
Sam abriu muito os olhos. Quem chamara fora o seu cunhado, mas o homem que respondeu ao nome não era nem gordo nem baixo.
Era o homem do smoking.
Sam ficou de boca aberta quando viu o seu cunhado e o homem a cumprimentar-se com um abraço.
– Quando chegaste, Demetrios?
Demetrios Karas. Sam não podia acreditar que era verdade, que aquele homem impressionante era o homem que as suas irmãs queriam que conhecesse. Aquele homem alto, bem-parecido e perigosamente atraente era o que elas achavam «apropriado» para ela?
Mas aquele homem não era dos que se casavam, tinha a certeza disso. Aquele homem era um solteirão empedernido, algo que ela compreendia perfeitamente.
O casamento deveria ter feito mal às suas irmãs.
– Samantha!
Rafe chamara-a com aquela pronúncia brasileira adorável. Sam respirou fundo e virou-se para ele.
– Rafe, a festa está muito boa – Sam sorriu, colocou-se nas pontas dos pés e beijou o seu cunhado no rosto.
– Foi Carin quem preparou tudo – replicou ele, orgulhoso.
– Fez um bom trabalho.
Rafe concordou. Depois, pôs as mãos nos bolsos das calças e aclarou a garganta.
– Bom, conheceste alguém interessante?
«Voltámos ao mesmo», pensou Sam.
– Não pode ser. Tens milhares de convidados e é impossível conhecer alguém aqui.
– Não, claro que não. No entanto, se quiseres posso apresentar-te algumas pessoas.
Sam ficou a olhar para o seu cunhado e, de repente, viu que se ruborizava.
– Rafe, não quero conhecer Demetrios Karas.
– Carin acha que…
– Carin não tem que achar nada – Sam sorriu. – Gosto da vida que levo, estou a falar a sério.
O seu cunhado pareceu aliviado.
– Eu sei, tentei explicar-lhe isso, mas…
– Não lhe disseste nada, pois não? Refiro-me a Karas.
– Não, claro que não – replicou Rafe.
– Está bem – Sam pestanejou. – Porque não gostaria nada de me sentir como um artigo de mercadoria… se de repente tiver vontade de o cumprimentar.
– Mas não acabaste de dizer que… ?
– Disse que não o quero conhecer, mas referia a conhecê-lo como a um futuro candidato ao casamento – Sam baixou a voz. – A verdade é que seria um bom marido.
– Demetrios concordaria contigo nisso – replicou Rafe, com um sorriso.
– Mas não me importava de me divertir um pouco…
– Samantha!
Sam riu.
– Estava a brincar.
Claro que era a brincar.
– Se não te importas, vou ver onde está a minha mulher – declarou Rafe.
Samantha sorriu.
– Claro que não me importo. Se vires Carin, poderias dar-lhe um recado da minha parte? Dizer-lhe que apesar da festa estar muito boa, estou muito cansada e vou para a cama?
– Não te preocupes que eu digo-lhe – Rafe deu-lhe um beijo na testa. – Boa noite, Sam – disse em brasileiro.
– Boa noite, Rafe.
Ia fazer mesmo isso. Ia entrar em casa e subir para o seu quarto. Até àquela altura comportara-se como uma adolescente tentando evitar Demetrios Karas. Já tinha o suficiente. Precisava de dormir e era isso que ia fazer.
Sam alisou o cabelo, levantou o queixo e, adoptando um sorriso educado, entrou na sala…
E foi ao encontro de Demetrios Karas.
Capítulo 2
Era uma bela mulher, com o cabelo da cor do Outono e com uns profundos olhos verdes, da cor do mar. Demetrios reparara nela ao entrar.
Era a imagem da feminilidade envolta em seda verde, num tom mais claro do que o dos seus olhos. Vestia uma blusa curta e justa nos seios e umas calças largas. Normalmente, não gostava de mulheres que usavam calças, mas naquele caso…
Preguiçosamente, fitou-a de cima abaixo.
Aquelas calças eram diferentes, chegavam-lhe por debaixo do umbigo. As sandálias, que também eram verdes, eram feitas de tiras finas e tinham saltos de agulha.
Só um santo é que não a teria imaginado vestida só com as sandálias e talvez com um pouco de renda. E claro que ninguém o consideraria para a canonização.
Não se surpreendera ao imaginá-la daquela maneira, o que o surpreendera, no entanto, fora a rápida reacção do seu corpo.
Porque é que estava tão afastada de todos? A música tocava e as pessoas conversavam e riam. A festa de Rafe era um sucesso e, no entanto, ela mantinha-se à margem. Estava no terraço, perto da porta, como se não soubesse se queria ficar ou ir-se embora, com um copo na mão e uma expressão indecifrável. Estaria aborrecida? Indiferente ao que acontecia à sua volta? Fosse o que fosse, todos os homens teriam olhado para ela se não fosse a sua postura.
«Não te aproximes», parecia querer dizer. «Não estou interessada».
No entanto, Demetrios não acreditava que tivesse ido sozinha à festa. Não teria acompanhante? Cada vez que olhava na direcção do terraço, via-a sozinha.
A única maneira de obter resposta àquela pergunta seria perguntar-lhe directamente.
Demetrios desculpou-se com quem estava a falar e começou a dirigir-se para ela, mas não conseguiu ir muito longe, conhecia muitos dos convidados…
A ruiva do terraço não parecia o género de mulher que permanecesse com um homem quando a paixão já tivesse acabado… mas talvez isso fosse uma ilusão. A experiência ensinara-o que as mulheres eram incapazes de desfrutar o momento sem tentar transformá-lo em algo duradouro.
No entanto, agradava-lhe imaginar aquela possibilidade. A mulher perfeita, tão bela e especial como uma orquídea e tão auto-suficiente como um cacto.
Infelizmente, aquele género de mulher não existia. As mulheres ou eram belas ou eram fortes. Não parecia haver maneira de combinar aquelas duas qualidades e, dado que ele era um homem que preferia a beleza à durabilidade, as suas relações acabavam sempre mal.
Embora fosse só por uma vez, Demetrios pensou que gostaria de conhecer uma mulher independente, uma mulher que admitisse os seus desejos com honestidade e sem manipulações.
De repente, sentiu um formigueiro no estômago. Ao levantar o olhar, viu que ela o fitava com uma intensidade que o fez desejar empurrar a mulher que falava com ele naquele momento para se aproximar da ruiva, tomá-la ao colo e levá-la dali para fora.
Claro que não fez nada disso. Os homens civilizados não faziam aquelas coisas.
Portanto, esperou para poder pôr fim à conversa e começou a dirigir-se para ela novamente. Quando Rafe o chamou, não pôde deixar de o cumprimentar. Há anos que eram amigos. No entanto, assim que acabaram de se cumprimentar, ele decidiu ser directo. Poderia sê-lo com ele.
– Rafe, porque é que não falamos depois? Talvez amanhã, o que é que achas?
Rafe sorriu com ironia e deu-lhe uma palmada no ombro.
– Parece que fisgaste uma mulher. Quem é?
Demetrios também sorriu.
– Ainda não sei como se chama, só a vi.
– Mostra-me. Que género de amigo seria se não te ajudasse?
– Está ali… – mas ela já não estava ali. A mulher misteriosa penetrara nas sombras do terraço. – Não te preocupes que um homem tem que saber desenvencilhar-se sozinho.
– Não duvido que o vais conseguir – declarou Rafe, a sorrir. – Nick diz que costumavas deixá-lo envergonhado.
– Fico contente por ele o admitir. Enfim, agora é casado.
– Muito bem casado – Rafe aclarou a garganta. – Tal como eu. Tenho a certeza de que a ti também te acontecerá o mesmo quando conheceres a mulher dos teus sonhos.
Demetrios assustou-se. A expressão do seu amigo tornara-se séria. Não, um amigo não poderia tentar…
– Bom, já conheceste a família da minha esposa? – inquiriu Rafe.
– O casamento derreteu-te o cérebro – Demetrios sorriu. – Fiz um negócio com Jonas, não te lembras? Em Espada, onde conheci a sua esposa e os seus filhos, e claro que conheço Amanda e a tua bela Carin.
– Nesse caso, a única pessoa que te falta conhecer é Sam.
– Sam? – Demetrios franziu o sobrolho. – Não me lembro de que Jonas tivesse um filho chamado Sam.
– Não, Sam é a abreviatura de Samantha.
– Ah, sabia que Jonas tinha filhas, mas…
– Sam não é filha de Jonas – Rafe voltou a aclarar a garganta. – Samantha não é uma Baron, mas uma Brewster. É a irmã mais nova da minha esposa.
– Ah! – Demetrios olhou na direcção do terraço mais uma vez. – Bom, Rafe, velho amigo…
– Sam está por aqui. Porque é que não vens comigo para que vos apresente?
Nem pensar! Agora já sabia o que o seu amigo queria. Era patético o que acontecia a um homem quando uma mulher lhe punha o anel no dedo. Logo Rafael Alvares, que criava cavalos e que geria um império financeiro no Brasil, e agora também fazia de casamenteiro.
– Agradeço-te, mas deixa para mais tarde – pediu Demetrios, apalpando o bolso do casaco. – Tenho que fazer um telefonema para Nova Iorque e aqui na sala faz muito barulho…
– Vais gostar dela. Sei disso.
– Sim, não duvido, mas…
– É do teu género.
– Não me digas – Demetrios arqueou as sobrancelhas.
– A sério, Sam é um desafio!
O que deveria querer dizer que tinha mau génio.
– Tem muito carácter.
O que queria dizer que nenhum homem a conseguiria aguentar. Demetrios percebia muito bem a linguagem daqueles que queriam ver o fim do seu feliz estado de solteiro.
– Deve ser… fascinante – replicou Demetrios, educadamente. – E não duvido que deve ser tão bonita como a tua esposa.
Rafe ficou pensativo uns momentos.
– Não, tenho que admitir que Sam não é nada parecida com Carin, nem com Amanda.
A situação piorava a olhos vistos. Pelos vistos, o seu amigo queria carregá-lo com uma mulher insuportável que tinha nome de homem e que nem sequer era bonita como as suas irmãs.
– Bom, não duvido que deve ser encantadora, mas agora tenho que fazer um telefonema. Depois apresentas-me à tua cunhada.
Rafe suspirou.
– Não, compreendo que não a queiras conhecer e estás a desculpar-te. Não estás disposto a perder a tua liberdade – o suspiro de Rafe tornou-se num sorriso. – Não te preocupes, Demetrios. Já o disse a Carin, mas ela insiste em que tu e Sam são feitos um para o outro. O que é que queres que te diga? Já sabes como é a minha mulher…
– Sim, eu sei – replicou Demetrios, com um suspiro de alívio. – Por isso é que fico muito contente em permanecer solteiro.
Rafe afastou-se dele. Demetrios dirigiu-se para o terraço, mas voltaram a interceptar os seus passos. Desta vez foi uma loira com a qual tivera uma aventura passageira.
– Querido – cumprimentou ela, e beijou-o no rosto.
– Desculpa, mas tenho que…
Naquele momento, uma fragrância inundou os seus sentidos. Jasmim? Lilás?
– Olá.
A voz era suave e rouca. Só uma mulher naquela festa tinha o poder de o fazer virar-se com uma palavra. Sabia que era ela. Devagar, virou-se, enquanto se perguntava se aquela mulher na realidade poderia comparar-se às suas fantasias.
Sim, era mais bonita do que pensara. Era magnífica, com olhos onde um homem poderia perder-se. Boca feita para beijar, cabelos da cor do fogo.
– És muito bonita – elogiou Demetrios, suavemente.
Ela riu.
– E tu és muito directo.
– Tenho estado a observar-te e tu tens estado a olhar para mim. De que é que vale fingir? – Demetrios aproximou-se dela. – Desde que estou aqui, que tenho estado a tentar chegar ao pé de ti.
Ela sorriu e ofereceu-lhe um copo. Até àquele momento, Demetrios não tinha reparado que trazia um copo em cada mão, os dois cheios de gelo e com um líquido pálido.
– Para o caso de teres sede.
Demetrios sorriu.
– Caipirinha?
Os dedos dele tocaram nos dela quando agarrou no copo que lhe oferecera e, imediatamente, sentiu uma corrente eléctrica a percorrer-lhe o corpo. A ela aconteceu-lhe o mesmo e viu-o nos seus olhos e na maneira como escureceram.
– Não gosta do que lhe ofereci, senhor Karas?
– Gosto – replicou ele, em voz baixa, com os olhos cravados nos dela e consciente de que ela não se referia à caipirinha. – Muito.
– Muito bem – ela sorriu, levou o copo aos lábios e bebeu um gole.
Era uma namoradeira, mas sabia o que queria e não dissimulava. Demetrios desejou abraçá-la e levá-la para a cama…
– Demetrios – disse uma voz, atrás dele.
– Um momento – desculpou-se Demetrios, enquanto se virava para a loira. – Desculpa, mas estou ocupado.
Tinha sido mal-educado e sabia-o, mas não se importou. A única coisa que lhe importava era estar com aquela mulher…
Tinha desaparecido. Onde é que estava? No terraço. Viu um movimento de seda verde na escuridão.
Demetrios pousou o copo numa mesa e dirigiu-se para o terraço.
Ali estava, sob as escadas que davam para a relva do jardim.
– Espera!
Ela acelerou o passo até que quase correu. Demetrios, praguejou e seguiu-a, alcançando-a num miradouro. Agarrou-a pelos ombros e fê-la virar-se. O luar iluminou o rosto da mulher.
– Porque é que fugiste? Tens medo de mim? – com ternura, agarrou no rosto da mulher entre as suas mãos e com os dedos acariciou as suas faces. – Não precisas ter medo, não te vou magoar.
Sam ficou a olhar para ele. Não lhe podia explicar. O que é que ia dizer? Que tinha começado como uma brincadeira, mas que agora queria ir para a cama com ele? Nem sequer ela ia para cama com um homem com tanta rapidez.
Sam humedeceu os lábios.
– Desculpa se te dei uma impressão errada a meu respeito. A verdade é que estou muito cansada e…
– E não me conheces. É esse o problema, não é? – ele fitou-a nos lábios. – Poderias conhecer-me. Um beijo, é só isso que é preciso para saber tudo o que é preciso saber.
– Penso que não…
– Não penses… pelo menos esta noite.
Devagar, ele baixou a cabeça. Apesar das suas últimas palavras, Sam sabia que lhe daria tempo antes que fosse demasiado tarde.
Os olhos dele eram dois poços azuis, meio ocultos sob pestanas negras e espessas.
«Poderia afogar-me nos seus olhos», pensou Sam. Então, a boca dele acariciou a sua, como um murmúrio à luz da lua até que, com um suspiro, Sam deixou de pensar, fechou os olhos e abriu os lábios.
Ele sabia a vinho e a luar. A milhares de sonhos esquecidos e a uma procura que ainda não acabara. Enquanto a beijava, Sam percebeu que queria mais.
– Mais… – murmurou Sam.
Demetrios gemeu. Sim, dar-lhe-ia mais. Dar-lhe-ia tudo e aceitaria tudo dela. Apertou-a contra si, colocou as mãos na sua garganta e levantou-lhe o rosto.
Samantha inclinou-se sobre ele, querendo sentir o corpo dele contra o dela. Ele acariciou-lhe os ombros e ela tremeu.
Rodeou o pescoço dele com os braços e Demetrios percebeu que, ela acabara de se render à noite, à paixão, a ele. Mordiscou o lábio inferior dela e depois lambeu-o, sabia a caipirinha e a açúcar, sabia a desejo. Demetrios gemeu e apoiou-se contra a parede, arrastando a mulher consigo antes de lhe acariciar o corpo possessivamente, absorvendo o seu gemido quando o mamilo dela se ergueu contra a mão dele.
– Matya mou – declarou ele, com voz grossa, ao mesmo tempo que se virava para a colocar contra a parede do miradouro.
Ela esfregou-se contra ele e Demetrios percebeu que estava quase a perder o controlo.
– Espera – murmurou ele.
Mas aquela mulher estava a acariciar-lhe o peito e desabotoar-lhe a camisa. Conteve a respiração ao sentir os dedos frios dela na sua pele. Sentiu o desejo dela. Ele também o sentia, precisava de a tocar e saborear, mas não se permitiria perder o controlo até àquele ponto. Esperaria. Iria levá-la para algum lugar íntimo onde houvesse uma cama e pudessem ficar sozinhos sem o perigo de serem interrompidos.
Demetrios beijou-a nos lábios e entrelaçou os dedos nos dela.
– Vamos para o meu quarto – pediu Demetrios.
Mas ela abanou a cabeça.
– Não, em casa não posso…
Ela não queria correr o risco de ser vista e ele também não queria.
– Vamos para os estábulos – declarou Demetrios.
Antes dela conseguir responder, ele puxou por ela e começou a andar.
– Espera – pediu ela, parando para descalçar os sapatos.
Demetrios agarrou nos sapatos dela e os dois correram pela relva húmida. Ela ria e ele parou para a abraçar e beijar.
Uma nuvem cobriu a lua, deixando o céu só com o fogo das estrelas, mas Demetrios conhecia o caminho. Havia um pequeno gabinete num dos estábulos, onde ele e Rafe tinham feito um acordo. Não era um gabinete sofisticado, só tinha uma mesa, uma cadeira e um velho sofá de pele. O sofá não era grande, mas era suficiente para que um homem e uma mulher pudessem fazer amor.
Ia levá-la para lá, ia despi-la e perder-se na voluptuosidade da sua boca e enterrar-se no calor do seu corpo. Depois de se saciar, apertá-la-ia contra os seus braços e acariciá-la-ia. E, quando a festa tivesse acabado, iria levá-la para casa, para o seu quarto, e ali perder-se-iam novamente nos braços um do outro, envoltos pela cálida noite brasileira.
Os estábulos estavam às escuras e cheiravam a cavalo e ao couro das selas e arreios. Um animal relinchou quando a porta se abriu.
Demetrios levou-a para o gabinete do fundo.
– Demetrios… – murmurou ela.
– Sim? – replicou ele, com voz rouca.
Sabia como ele se chamava? Mas ele não dissera o seu nome àquela mulher. Pensou perguntar-lhe, mas… que importância tinha aquilo naquele momento? Em vez disso, agarrou na mão dela e colocou-a sobre o seu membro erecto.
– Sente o que estás a fazer, o kalóz mou.
Demetrios ouviu-a ofegar quando lhe rodeou o membro com a mão.
O mamilo coberto pela seda, duro como uma pérola, ergueu-se contra a mão dele. Ele rosnou, beijou-a profundamente e, enquanto saboreava a doçura da sua boca, deitou-a no sofá e abraçou-a. Ela gemeu, beijou o queixo dele com ardor e rodeou-lhe o pescoço com os braços e, durante um instante, Demetrios sentiu que o seu frenesim diminuía. De repente, precisou de a abraçar e explorar os doces segredos daquele corpo antes de aliviar o seu desejo.
Pulsuz fraqment bitdi.